LONDRES — O Nubank iniciou conversas preliminares para uma possível compra do banco digital britânico Monzo, em uma operação que poderia avaliar a fintech entre £ 8 bilhões (R$ 55 bilhões) e £ 10 bilhões (R$ 68,7 bilhões). A transação seria feita por meio de uma combinação de dinheiro e ações, segundo pessoas a par das discussões.
O Monzo, com sede em Londres, também conversa com gestoras de private equity sobre a venda de uma participação de até 15%. A alternativa permitiria ao banco captar recursos para acelerar seu crescimento. Outra possibilidade seria uma rodada tradicional de captação, com investidores adquirindo participações menores.
A rodada secundária mais recente do Monzo ocorreu em 2024 e avaliou a empresa em £ 4,5 bilhões (R$ 30,9 bilhões). O banco é assessorado pelo Morgan Stanley e pelo Qatalyst.
Estratégia e resultados do Monzo
As negociações acontecem após mudanças na administração do Monzo. No ano passado, investidores como Accel e Iconiq reagiram à saída de TS Anil, então presidente-executivo, e pediram a troca do presidente do conselho e maior representação dos acionistas no órgão.
Diana Layfield assumiu a presidência-executiva em fevereiro. Desde então, encerrou as operações do Monzo nos Estados Unidos e concentrou a expansão na Europa, com o lançamento de operações na Irlanda e na Espanha.
O Monzo foi fundado por Tom Blomfield em 2015 e hoje tem 16 milhões de clientes, quase todos no Reino Unido. No ano fiscal encerrado em março de 2026, registrou lucro antes de impostos de £ 87,3 milhões (R$ 600 milhões), acima dos £ 60,5 milhões (R$ 415 milhões) do ano anterior. A receita cresceu 39%, para £ 1,7 bilhão (R$ 11,6 bilhões).
Uma venda ao Nubank, sediado em São Paulo, poderia afastar o Monzo de uma eventual abertura de capital na Bolsa de Valores de Londres. O banco brasileiro é avaliado em US$ 65 bilhões (R$ 337,2 bilhões), tem 140 milhões de clientes nas Américas e obteve uma licença bancária nos Estados Unidos.
O Nubank foi fundado há 13 anos e é a maior fintech da América Latina. O Monzo não comentou as conversas. Seu principal rival doméstico, o Revolut, tem 80 milhões de clientes e operações em mais de 40 países.



