A PepsiCo vai retirar os corantes FD&C de três sabores do Gatorade nos Estados Unidos: Lemon Lime, Orange e Fruit Punch. A mudança está prevista para este outono e atinge variedades que representam 35% das vendas anuais da marca no país, próximas de US$ 10 bilhões.
A reformulação ocorre após pressão de legisladores estaduais e de Robert F. Kennedy Jr., secretário da Saúde dos Estados Unidos. A preocupação apresentada é que os corantes possam agravar problemas comportamentais relacionados à atenção em crianças.
Como serão as novas cores
O vermelho intenso do Gatorade Fruit Punch passará a ser obtido de cenouras-pretas e batatas-doces roxas. Já os sabores de limão e laranja receberão betacaroteno, pigmento encontrado em cenouras, batatas-doces e folhas verde-escuras.
A oferta de ingredientes naturais, porém, não é suficiente para atender toda a produção. Os fornecedores precisam avisar os agricultores com 18 meses de antecedência para ampliar o cultivo dos vegetais usados nos corantes. Mesmo com esse planejamento, não há betacaroteno vegetal em quantidade suficiente para tingir lotes inteiros da PepsiCo, que vende cerca de 3 bilhões de litros de Gatorade por ano.
Por isso, o sabor limão usará betacaroteno de origem natural, enquanto o laranja terá betacaroteno sintético. Damian Browne, vice-presidente sênior de pesquisa e desenvolvimento e de bebidas para a América do Norte da PepsiCo, afirmou: “Simplesmente não conseguimos quantidade suficiente para fazer o laranja. Mas estamos trabalhando nisso”. A empresa disse que o pigmento sintético foi aprovado pela FDA, a Administração de Alimentos e Medicamentos dos Estados Unidos.
As variedades azuis, como Glacier Freeze, continuarão com corantes FD&C. Segundo a empresa, os poucos pigmentos azuis naturais disponíveis têm sabor forte e poderiam alterar o gosto da bebida. Os corantes artificiais também são valorizados por resistirem ao calor e à luz, terem longa vida útil e funcionarem em pequenas quantidades.
Pressão sobre a cadeia de ingredientes
A FDA acompanha compromissos de dezenas de empresas para retirar os chamados corantes sintéticos à base de petróleo até o fim de 2027. A meta foi adiada em um ano em relação ao prazo original.
A Sensient Technologies, fabricante de corantes, afirmou que o aumento da demanda pressiona a oferta global de produtos botânicos e a capacidade de processamento. A empresa está ampliando sua fábrica em St. Louis, Missouri, para elevar a produção de corantes naturais.
A iniciativa faz parte de uma reformulação mais ampla conduzida pelo CEO da PepsiCo, Ramon Laguarta. As batatas chips Lay’s já deixaram de conter corantes e aromatizantes artificiais. Damian Browne disse que a companhia trabalha com ingredientes naturais há anos, antes da pressão de Washington.
Vendas e concorrência
A mudança ocorre enquanto consumidores buscam ingredientes mais simples e naturais, mas também preços mais baixos após anos de inflação nos supermercados. O volume de vendas da divisão de bebidas da PepsiCo na América do Norte caiu em sete dos últimos dez anos e recuou 3% no primeiro semestre de 2026.
O Gatorade responde por 61% das vendas de bebidas esportivas nos Estados Unidos, segundo a Numerator. A marca concorre com BodyArmor e Powerade, da Coca-Cola, enquanto novas opções chegam ao mercado.
A Procter & Gamble concordou no mês passado em pagar US$ 3,8 bilhões pela Thorne, fabricante de alimentos saudáveis e suplementos. A Kraft Heinz lançou neste ano uma versão das bebidas Capri Sun em sachê com eletrólitos.
Em abril, a PepsiCo renovou a marca Gatorade, incluindo nos rótulos a afirmação de que a bebida “hidrata melhor do que a água”, além de lançar uma linha com menos açúcar e corantes naturais. A empresa afirma que as alegações são respaldadas por pesquisas do Instituto Gatorade de Ciências do Esporte.
A cor continua sendo parte central da identificação do produto. Browne disse: “Muita gente nem sequer sabe quais são os sabores. Só os reconhece pela cor”. A empresa encontrou diferenças sutis de tonalidade entre as versões antigas e novas, e a substituição pode afetar a percepção dos sabores pelos consumidores.



