O petróleo Brent subiu 5,79% nesta quinta-feira e alcançou US$ 107,08 (R$ 548,71) por volta das 12h45 (horário de Brasília). O valor foi o maior desde 19 de maio, quando o barril estava em US$ 107,22, e marcou a primeira vez desde maio que a cotação superou US$ 107.
A alta ocorreu depois de os houthis, grupo do Iêmen aliado do Irã, anunciarem o controle de Mocha, uma importante área portuária do país. O grupo também afirmou ter ampliado seu domínio sobre o estreito de Bab el-Mandeb, rota entre o Mar Vermelho e o Oceano Índico usada como alternativa para navios da Arábia Saudita transportarem petróleo.
As primeiras informações foram divulgadas às 8h30. Naquele momento, o contrato de novembro era negociado perto de US$ 102. Às 10h, passou de US$ 105, estabilizou e voltou a subir até alcançar US$ 107 cerca de duas horas depois.
O petróleo WTI, referência nos Estados Unidos, estava em US$ 101,53 (R$ 520,27) por volta das 13h, com alta de 5,71%.
Rotas de petróleo
Segundo os houthis, o estreito de Bab el-Mandeb passou a ser uma opção bloqueada para o transporte de petróleo depois que o tráfego pelo estreito de Hormuz foi interrompido no início da guerra, em 28 de fevereiro. A passagem era usada por 20% da produção mundial de petróleo e gás.
O Bab el-Mandeb fica entre o Iêmen, na Península Arábica, e Djibuti e Eritreia, na costa africana. A rota é utilizada para transportar petróleo bruto e combustíveis do Golfo ao Mediterrâneo, pelo Canal de Suez ou pelo oleoduto Suez-Mediterrâneo, além de mercadorias destinadas à Ásia.
Forças do governo iemenita e aliados avançam ao sul pela costa do Mar Vermelho em direção a Dhubab, situada às margens do estreito, em frente à ilha de Perim. Fontes militares do governo afirmaram que o controle de Dhubab e da ilha é fundamental para dominar a passagem.
A ação dos houthis ocorreu após declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na quarta-feira (9). Ele disse esperar que a guerra terminasse depois das eleições de meio de mandato, marcadas para novembro.
Ataque a refinaria na Rússia
A paralisação da refinaria de Ryazan, da russa Rosneft, também contribuiu para a alta do petróleo. A unidade foi atingida por drones no domingo (6), segundo duas pessoas do setor.
A principal unidade, CDU-6, e a CDU-4 foram interrompidas. Juntas, elas respondem por quase a metade da capacidade da refinaria e processam cerca de 12 milhões de toneladas de petróleo por ano, ou aproximadamente 240 mil barris por dia.
A Ucrânia mantém ataques à infraestrutura energética russa. A Rosneft não respondeu a um pedido de comentário. A refinaria fica cerca de 200 quilômetros (124 milhas) a sudeste de Moscou.
Na Arábia Saudita, autoridades da Defesa Civil emitiram alertas de emergência em Khamis Mushait pela quarta vez em 24 horas. O Paquistão também transmitiu ao Irã uma advertência saudita para que contenha os houthis. Uma autoridade iraniana de alto escalão confirmou a mensagem e afirmou que “o Irã não controla os houthis”.



