O estreito de Bab el-Mandeb se tornou uma rota central para as exportações de petróleo da Arábia Saudita depois que o Irã bloqueou o estreito de Hormuz. A passagem liga o Mar Vermelho ao Oceano Índico e é usada por navios que seguem entre a Ásia, a Europa e o Mediterrâneo.
A tensão aumentou após os houthis, rebeldes do Iêmen alinhados ao Irã, anunciarem a expansão de seu domínio na região. Na quarta-feira (9), o grupo tomou Mocha, cerca de 70 quilômetros ao norte do estreito. Os houthis também controlam o porto de Hodeida, mais ao norte, embora ainda não dominem diretamente todo o litoral próximo a Bab el-Mandeb.
Localização e circulação de navios
O nome Bab el-Mandeb significa “Porta dos Lamentos” em árabe. O estreito separa o Iêmen, na Península Arábica, do Chifre da África e conecta a Europa à Ásia por meio do Canal de Suez.
A passagem tem aproximadamente 100 quilômetros de comprimento e 30 quilômetros de largura. Ela se estende entre Ras Menheli, na costa iemenita, e Ras Siyyan, no Djibuti. Os dois cabos delimitam a ligação entre o Mar Vermelho e o Golfo de Aden.
Petroleiros e navios mercantes vindos da Ásia atravessam Bab el-Mandeb para chegar ao Mar Vermelho, ao Canal de Suez e ao Mediterrâneo. O caminho também é percorrido no sentido inverso.
O tráfego pelo Canal de Suez caiu drasticamente em 2024, depois de ataques houthis contra navios considerados ligados a Israel. Entre janeiro e agosto de 2026, a movimentação ficou pouco acima da metade do nível anterior à crise, segundo dados do PortWatch do FMI.
Efeito sobre as exportações sauditas
Desde o início da guerra no Oriente Médio, a Arábia Saudita passou a ampliar o envio de petróleo pelo porto de Yanbu, no Mar Vermelho, para contornar o bloqueio iraniano ao estreito de Hormuz.
Bab el-Mandeb respondia por 12% do fluxo global de petróleo em 2023, conforme a Administração de Informação Energética dos EUA. Com Hormuz fechado pelo Irã, a passagem se tornou uma rota vital para os sauditas.
As exportações de Yanbu alcançaram média de 3,8 milhões de barris por dia entre março e julho, aproximadamente cinco vezes o nível anterior à guerra. Em agosto, porém, caíram para 1,5 milhão de barris por dia, depois da retomada dos ataques houthis a navios sauditas.
A ofensiva também pressionou os preços. O petróleo superou US$ 105 após os houthis anunciarem a ampliação de seu controle no estreito.
Bloqueio e risco de instabilidade
Desde julho, os houthis impuseram um bloqueio marítimo à Arábia Saudita e atacaram vários navios do país. O grupo nega que pretenda fechar Bab el-Mandeb ou cobrar direitos de trânsito.
A avaliação do Instituto para o Estudo da Guerra é que os houthis buscam elevar o custo econômico e político do conflito para Riade e pressionar a monarquia saudita a interromper as operações militares.
Para Andreas Krieg, especialista em segurança do King's College London, “o maior perigo não é necessariamente o fechamento físico de Bab el-Mandeb, mas a incerteza persistente”. A guerra no Oriente Médio começou em 28 de fevereiro, após ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã e represálias de Teerã na região. No Iêmen, a resposta do governo apoiado pelos sauditas rompeu o cessar-fogo firmado em 2022.



