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Economia

Rotas do petróleo saudita são afetadas por ataques no mar Vermelho

Mudanças nas rotas de exportação da Arábia Saudita ocorrem enquanto o petróleo supera US$ 100 por barril e aumentam os riscos ao comércio global.

Rotas do petróleo saudita são afetadas por ataques no mar Vermelho
Foto: Dado Ruvic/Reuters

A Arábia Saudita está alterando as rotas usadas para escoar petróleo depois de ataques e bloqueios associados à escalada do conflito com o Irã. O país passou a evitar o estreito de Hormuz, ampliou o uso de oleodutos até o mar Vermelho e, após novas ameaças dos houthis, enviou navios para o norte, em direção a um oleoduto próximo ao Canal de Suez.

A alternativa pelo norte é mais cara e pode adicionar semanas ao trajeto até a Ásia, destino da maior parte dos compradores sauditas. O reino também enfrenta pressão sobre o volume exportado: as vendas externas recuaram para 3,2 milhões de barris por dia no mês passado, o menor patamar em pelo menos 13 anos, segundo dados da Kpler.

Na última semana, somente duas cargas sauditas atravessaram o estreito de Bab el-Mandeb rumo ao mar Vermelho. O movimento ocorre depois de a milícia houthi, apoiada pelo Irã, anunciar o bloqueio à navegação saudita na região.

Ataques ampliam o risco para navios

As autoridades sauditas afirmaram que reagiriam depois que os houthis feriram 73 civis e atingiram instalações de energia no sul do país. Desde 20 de julho, o grupo reivindicou pelo menos sete ataques contra embarcações que seguiam para ou saíam de portos sauditas, segundo Allison Minor, ex-vice-enviada especial dos Estados Unidos para o Iêmen.

Um petroleiro saudita foi atacado no fim de agosto no centro do mar Vermelho, em uma área antes considerada mais segura do que as águas próximas ao Iêmen. Para Dimitris Maniatis, fundador da Marisks, o episódio indicou que a ameaça se espalhou para além do sul da região.

As travessias de navios sem ligação com a Arábia Saudita também diminuíram. Em agosto, a média foi de 35 por dia, o menor número desde julho de 2025, conforme a Leth Agencies. Allison Minor, que também é diretora do Atlantic Council, afirmou que os houthis mantêm aberta a passagem para embarcações sem vínculos sauditas para reduzir o risco de uma resposta dos Estados Unidos.

A preocupação aumentou após um drone atingir um navio na costa dos Emirados Árabes Unidos. Um marinheiro morreu e outro desapareceu, segundo Maniatis. Ele afirmou que o problema para a navegação comercial não se resume à quantidade de ataques, mas inclui a expansão dos tipos de alvo e da área atingida.

Petróleo mais caro e rotas mais longas

O petróleo superou US$ 100 por barril nesta quarta-feira (9), em meio à intensificação dos ataques entre Estados Unidos e Irã. O Irã declarou ter disparado mísseis contra uma base americana na Jordânia e contra dois contratorpedeiros da Marinha. Os militares americanos disseram que ataques dos Estados Unidos destruíram cinco petroleiros iranianos.

Burcu Ozcelik, pesquisadora sênior do Royal United Services Institute, afirmou que o impacto econômico pode ocorrer mesmo sem o fechamento físico de Bab el-Mandeb. Ataques houthis iniciados no fim de 2023 já haviam levado grandes companhias de navegação a evitar o mar Vermelho e a escolher a rota ao redor do Cabo da Boa Esperança, na costa da África do Sul, entre a Ásia e a Europa.

O conflito entre houthis e Arábia Saudita no Iêmen existe desde 2014. Para Ozcelik, a guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã acrescentou uma dimensão regional ao confronto. Fawaz A. Gerges, professor da London School of Economics, disse que os houthis enxergam o conflito como uma oportunidade para mudar a relação de forças com os sauditas no Iêmen. Ele avaliou que uma guerra em larga escala pode afetar o abastecimento global de energia.

Texto produzido pela Redação Nexo Econômico com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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