Os governos de 12 países anunciaram nesta terça-feira (8) sanções contra Israel em resposta à expansão de assentamentos judaicos na Cisjordânia ocupada e à violência de colonos contra palestinos. O grupo reúne Canadá, Reino Unido, França, Dinamarca, Finlândia, Islândia, Irlanda, Noruega, Polônia, Portugal, Espanha e Suécia.
Os países afirmaram que vão adotar restrições próprias ou apoiar medidas no âmbito da União Europeia. Em declaração conjunta, disseram que a violência de colonos alcançou níveis "sem precedentes" e acusaram as ações israelenses de prejudicar a possibilidade de uma solução de dois Estados. Também cobraram responsabilização pelos atos de violência e investigação de denúncias envolvendo militares israelenses.
Medida britânica e reação de Israel
O chanceler britânico, Ed Miliband, anunciou no Parlamento que o Reino Unido proibirá a importação de produtos fabricados nos assentamentos israelenses na Cisjordânia. Ele afirmou que Londres não poderia continuar apenas denunciando a expansão e que precisava agir para preservar a possibilidade de criação de dois Estados. Miliband também acusou Israel de permitir uma situação que configura "limpeza étnica".
O comércio anual entre Reino Unido e Israel é estimado em £6 bilhões (cerca de R$ 41 bilhões). Como os produtos dos assentamentos representam apenas uma pequena parcela desse total, o impacto econômico da decisão britânica deve ser limitado. Entre os itens estão frutas, verduras e vinho. Ainda não está definido como Londres identificará essas mercadorias e as separará das demais exportações israelenses.
O chanceler israelense, Gideon Saar, afirmou que o país fechará o consulado britânico em Jerusalém Oriental, que mantém relações com a Autoridade Palestina. O ministro das Finanças, Bezalel Smotrich, pediu a expulsão do embaixador britânico em Tel Aviv. Já o ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben-Gvir, pediu ao primeiro-ministro Binyamin Netanyahu que feche o consulado.
O presidente Isaac Herzog acusou o Reino Unido de interferir nas eleições israelenses, previstas para o fim de outubro. Smotrich também anunciou o avanço de planos para construir 1.000 novas moradias em outros dois assentamentos na Cisjordânia.
Pressão sobre o projeto E1
A França vinha defendendo uma resposta conjunta da União Europeia, mas enfrentava resistência de alguns países do bloco. Irlanda e Espanha já haviam adotado medidas contra o comércio com assentamentos israelenses.
A pressão se concentra no projeto E1, aprovado por Israel em 2025. O plano prevê 3.400 moradias em uma área de 12 quilômetros quadrados a leste de Jerusalém. A região é considerada estratégica porque sua ocupação pode fragmentar o território palestino e dificultar a criação de um Estado palestino territorialmente viável.
Os Estados Unidos também criticaram as sanções. Mike Huckabee, embaixador americano em Israel, afirmou que as medidas representam "discriminação contra o povo judeu".
A Cisjordânia é ocupada militarmente por Israel desde 1967 e é reivindicada pelos palestinos como parte de seu futuro Estado. O território abriga cerca de 3 milhões de palestinos e 500 mil colonos israelenses. Os assentamentos são considerados ilegais pelo direito internacional, que proíbe uma potência ocupante de transferir sua população para o território ocupado.



