A carne bovina brasileira passou a pagar uma tarifa total de 67% para entrar na China a partir desta quinta-feira (1º). O percentual reúne a cobrança adicional de 55%, anunciada pelo governo chinês, e o imposto de 12% que já estava em vigor.
A sobretaxa começou depois que o Brasil atingiu, na quarta-feira (30), o limite de exportações sem essa cobrança. A cota brasileira neste ano foi de 1,106 milhão de toneladas. Para 2027, o volume autorizado subirá para 1,128 milhão de toneladas.
O presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), Roberto Perosa, afirmou que o próximo limite pode acabar entre março e abril de 2027. “Sairemos de três meses de sufoco para seis”, disse em setembro.
Preparação para 2027
A diferença em relação a este ano é que frigoríficos e pecuaristas já conhecem antecipadamente o volume disponível. A previsão do setor é iniciar os abates neste mês e fazer os embarques em novembro, para que a carne chegue ao mercado chinês em janeiro de 2027. O transporte marítimo entre os dois países leva de 40 a 45 dias.
A antecipação pode concentrar as vendas no começo de 2027 e reduzir o ritmo dos negócios nos meses seguintes. O comportamento das compras chinesas, porém, ainda é incerto. Segundo Perosa, os estoques de carne bovina estão elevados, assim como a produção de carne suína.
As exportações brasileiras já haviam perdido força antes do fim oficial da cota. De acordo com Perosa, julho, agosto e setembro foram meses “duríssimos” para a indústria. Com menos vendas para a China, frigoríficos redirecionaram produtos a outros mercados e tiveram redução nas margens de lucro.
A queda também diminuiu a entrada de recursos usados por parte das empresas para pagar despesas operacionais. No final de setembro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que o Uruguai havia cedido ao Brasil parte de sua cota, mas o Ministério do Comércio da China não se manifestou publicamente sobre os pedidos brasileiros.
Disputa pelo limite
A Abiec voltou a discutir com o governo uma divisão da cota de 2027 entre os frigoríficos. A proposta prevê parcelas definidas por critérios como participação nas exportações e histórico de vendas. A entidade tentou uma medida semelhante para 2026, mas o governo decidiu não adotá-la.
A discussão ganhou força com a entrada de novas empresas no mercado chinês. Na última terça-feira (29), a China autorizou a Supremo Carnes, de Carlos Chagas (MG), e a Masterboi, de Canhotinho (PE), a vender carne bovina no país, segundo comunicado do Ministério da Agricultura.
Também receberam autorização para exportar carne de frango a Avivar Alimentos, de São Sebastião do Oeste (MG), e a Cooperativa Dália Alimentos, de Arroio do Meio (RS).



