São Paulo, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Dólar R$ 5,18 · Euro R$ 5,88 · Ibovespa 186.340 +0,00%
A economia explicada todos os dias
Economia

Tarifa chinesa sobre carne brasileira chega a 67% após fim da cota

Brasil esgotou o limite de vendas sem sobretaxa, e frigoríficos discutem como distribuir a cota de 2027.

Tarifa chinesa sobre carne brasileira chega a 67% após fim da cota
Foto: Ricardo Stuckert/Presidência da República

A carne bovina brasileira passou a pagar uma tarifa total de 67% para entrar na China a partir desta quinta-feira (1º). O percentual reúne a cobrança adicional de 55%, anunciada pelo governo chinês, e o imposto de 12% que já estava em vigor.

A sobretaxa começou depois que o Brasil atingiu, na quarta-feira (30), o limite de exportações sem essa cobrança. A cota brasileira neste ano foi de 1,106 milhão de toneladas. Para 2027, o volume autorizado subirá para 1,128 milhão de toneladas.

O presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), Roberto Perosa, afirmou que o próximo limite pode acabar entre março e abril de 2027. “Sairemos de três meses de sufoco para seis”, disse em setembro.

Preparação para 2027

A diferença em relação a este ano é que frigoríficos e pecuaristas já conhecem antecipadamente o volume disponível. A previsão do setor é iniciar os abates neste mês e fazer os embarques em novembro, para que a carne chegue ao mercado chinês em janeiro de 2027. O transporte marítimo entre os dois países leva de 40 a 45 dias.

A antecipação pode concentrar as vendas no começo de 2027 e reduzir o ritmo dos negócios nos meses seguintes. O comportamento das compras chinesas, porém, ainda é incerto. Segundo Perosa, os estoques de carne bovina estão elevados, assim como a produção de carne suína.

As exportações brasileiras já haviam perdido força antes do fim oficial da cota. De acordo com Perosa, julho, agosto e setembro foram meses “duríssimos” para a indústria. Com menos vendas para a China, frigoríficos redirecionaram produtos a outros mercados e tiveram redução nas margens de lucro.

A queda também diminuiu a entrada de recursos usados por parte das empresas para pagar despesas operacionais. No final de setembro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que o Uruguai havia cedido ao Brasil parte de sua cota, mas o Ministério do Comércio da China não se manifestou publicamente sobre os pedidos brasileiros.

Disputa pelo limite

A Abiec voltou a discutir com o governo uma divisão da cota de 2027 entre os frigoríficos. A proposta prevê parcelas definidas por critérios como participação nas exportações e histórico de vendas. A entidade tentou uma medida semelhante para 2026, mas o governo decidiu não adotá-la.

A discussão ganhou força com a entrada de novas empresas no mercado chinês. Na última terça-feira (29), a China autorizou a Supremo Carnes, de Carlos Chagas (MG), e a Masterboi, de Canhotinho (PE), a vender carne bovina no país, segundo comunicado do Ministério da Agricultura.

Também receberam autorização para exportar carne de frango a Avivar Alimentos, de São Sebastião do Oeste (MG), e a Cooperativa Dália Alimentos, de Arroio do Meio (RS).

Texto produzido pela Redação Nexo Econômico com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

Assine nossa newsletterAs principais notícias do dia no seu e-mail.