A carne bovina brasileira não deve voltar ao mercado da União Europeia antes de dois anos, estimou nesta segunda-feira (28) Eric Thévenard, chefe de auditorias da autoridade sanitária europeia. A previsão considera o período entre o nascimento e o abate dos animais sob os protocolos exigidos pelo bloco.
Os embarques de carne bovina e de frango estão suspensos desde o início do mês. A autoridade europeia afirma que o Brasil não cumpre as regras contra o uso de antimicrobianos restritos a humanos ou utilizados para estimular o crescimento do rebanho.
Segundo Thévenard, o animal precisa permanecer sob as novas exigências durante todo o ciclo produtivo. O tempo entre nascimento e abate é de cerca de dois anos, e o abate raramente acontece antes de 18 meses.
Exigências para a carne bovina
A retomada das exportações depende de garantias apresentadas pelo Ministério da Agricultura para adequar a cadeia brasileira às normas europeias. Entre as medidas está um protocolo privado elaborado pela Confederação Nacional de Agricultura e pela Abiec, aprovado pelo ministério, com auditorias em fazendas e frigoríficos habilitados a exportar para a União Europeia.
O Mapa também criou regras para definir os medicamentos proibidos e estabeleceu procedimentos de rastreabilidade, alerta e bloqueio de lotes que possam estar contaminados. O governo brasileiro aguarda uma auditoria presencial semelhante à realizada na cadeia da carne de frango. A inspeção terminou no último dia 4 de setembro, após visitas a granjas, abatedouros e ao sistema veterinário oficial.
Deputados do Parlamento Europeu questionaram os controles brasileiros durante a apresentação de Thévenard à Comissão de Agricultura. Thomas Waitz, da Áustria, afirmou que é possível comprar antibióticos por quilo em lojas comuns no Brasil e criticou a ausência de identificação individual do gado.
Ciaran Mullooly, da Irlanda, mencionou o recolhimento, em dezembro passado, de lotes de carne bovina brasileira com estradiol, hormônio proibido na pecuária da União Europeia. O deputado perguntou se os controles poderiam falhar novamente.
O Brasil exportou US$ 1,049 bilhão, aproximadamente R$ 5,7 bilhões, em carne bovina para a União Europeia em 2025.
Frango e mel
A DG Sante publicou nesta segunda-feira (28) o relatório da auditoria presencial realizada entre agosto e setembro nas cadeias brasileiras de carne de frango e produção de mel. O documento concluiu que os controles adotados pelo Brasil são suficientes para cumprir as normas europeias.
“O sistema de controles oficiais, conforme implementado e posteriormente reforçado pelo Brasil durante a auditoria, fornece uma base sólida”, diz o relatório.
A relistagem oficial do Brasil deve ser decidida no final de outubro pelo Comitê Permanente de Plantas, Animais, Alimentos e Rações da União Europeia.
Em 2025, o Brasil exportou 230 mil toneladas de carne de frango para a União Europeia, volume equivalente a cerca de 4,5% do total exportado pelo país no ano passado. As vendas somaram US$ 763 milhões, ou R$ 4,2 bilhões, cerca de 7,7% do faturamento total com exportações.



