O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Augusto Passos Rodrigues, foi afastado preventivamente nesta terça-feira (8) por decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça. A medida também atingiu o diretor de Inteligência Policial, Leandro Almada da Costa, e determinou a abertura de procedimentos para investigar a elaboração de relatórios de inteligência sobre autoridades.
Delegado da PF há mais de 20 anos, Andrei tem formação em direito pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel) e pós-graduação pela Escola Superior da Magistratura Federal do Rio Grande do Sul (Esmafe), segundo currículo divulgado pelo Ministério da Justiça.
Ele também estudou Gestão em Seguridade Pública pela Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp) e pela Fundação Getulio Vargas (FGV). Entre 2019 e 2020, concluiu mestrado em Alta Gestão em Segurança Internacional no Centro Universitário da Guardia Civil da Espanha e na Universidade Carlos III de Madrid.
Na carreira pública, Andrei foi secretário extraordinário de Segurança para Grandes Eventos. Nessa função, coordenou a segurança da Copa do Mundo de 2014 e dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio 2016. Também exerceu o cargo de secretário-executivo da Comunidade de Polícias da América (Ameripol), voltada à cooperação entre forças policiais dos países do continente.
A decisão de André Mendonça
Na decisão, Mendonça afirmou que a Polícia Federal produziu relatórios de inteligência com monitoramento de autoridades e análises sobre integrantes do Judiciário e do Executivo. O ministro suspendeu a produção e o compartilhamento de documentos desse tipo relacionados à atuação funcional de magistrados, da advocacia pública ou da polícia judiciária.
Os relatórios foram elaborados entre 3 e 31 de agosto deste ano e encaminhados ao ministro Alexandre de Moraes no âmbito do Inquérito das Fake News. De acordo com Mendonça, o material monitorava autoridades como ele próprio e o advogado-geral da União, Jorge Messias.
A pressão sobre Andrei aumentou desde o início de setembro. Em 2 de setembro, o Partido Novo pediu ao STF providências para proteger a independência de investigações que envolviam a direção da PF. No dia seguinte, solicitou a prisão preventiva do diretor-geral, citando supostos indícios de vínculo com uma rede de influência criminosa investigada pelas autoridades.
A decisão também registrou uma declaração da jornalista Monica Waldvogel. Segundo ela, Andrei teria confirmado a existência de relatórios da PF sobre o que a corporação avaliava como irregularidades na condução de provas por Mendonça.



