SÃO PAULO — Estudantes da Universidade Presbiteriana Mackenzie realizaram nesta quarta-feira (14), na rua Maria Antônia, um ato em apoio à candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República. A manifestação teve funk, clima de festa e um coro transfóbico contra a deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP).
Organizado por estudantes de direita, o encontro ocorreu diante da entrada do Mackenzie e da antiga sede da Universidade de São Paulo (USP). A mobilização foi apresentada como resposta a um ato de estudantes de esquerda favoráveis a Lula (PT), realizado no mesmo local na semana passada.
Durante o evento, os participantes chamaram Lula de ladrão e afirmaram que a juventude de direita vai retomar as universidades da esquerda. O deputado federal eleito Lucas Pavanato (PL-SP), que convocou o ato, discursou e declarou: “Nós temos sim algo em comum”. Em seguida, apoiadores entoaram um coro transfóbico contra Erika Hilton. Pavanato não acompanhou o canto e pediu calma.
Questionado depois do ato sobre a possibilidade de ser denunciado por transfobia, Pavanato respondeu: “Todos os seres humanos têm algo em comum, e nós dois somos deputados, mas eu fui mais votado do que ela.”
Também participou da manifestação a deputada estadual eleita Eduarda Campopiano (PL). Ela afirmou que, embora nada esteja ganho, a mobilização estudantil indicava apoio dos jovens a Flávio e liderança na disputa eleitoral contra Lula. Em discurso, disse que sua vitória nas eleições mostrava que a mulher não precisa ser feminista. Pavanato a descreveu como uma mulher que não aceita a coleira do feminismo.
A direita bolsonarista também convocou uma manifestação com a presença de Flávio Bolsonaro para este domingo (18), na avenida Paulista. O movimento ocorre após atos de jovens de esquerda em apoio a Lula. Na terça-feira (13), Brasília, São Paulo e pelo menos outras nove capitais registraram manifestações favoráveis à reeleição do presidente. Nesta quarta-feira, movimentos sociais se reuniram em Goiânia, com a presença de Guilherme Boulos (PSOL), e em Florianópolis.
Regra para manifestações no campus
O Mackenzie proibiu manifestações partidárias no campus de Higienópolis no último dia 6. A universidade informou ter tomado conhecimento, pelas redes sociais, de eventos convocados sem autorização prévia, incluindo um encontro de apoio a Lula organizado pelo grupo estudantil Mackenzie com Lula.
A instituição afirmou que recebeu manifestações de preocupação com a assembleia. Em comunicado, disse haver “necessidade de zelar pela segurança e bem-estar de todos” e anunciou a não autorização de manifestações partidárias nas dependências do campus.
Alguns estudantes que discursaram no ato de direita exaltaram a ditadura militar e lembraram a Batalha da Maria Antônia, em 1968. Na ocasião, estudantes da USP contrários ao regime e alunos do Mackenzie favoráveis a ele entraram em conflito na rua, no centro de São Paulo.



