SÃO PAULO — O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou sem restrições, nesta quarta-feira (14), a reorganização societária da Azzas 2154. A operação separa as marcas que estavam reunidas sob o grupo e reconstitui os negócios da Arezzo&Co e da Soma.
A Arezzo&Co ficará sob o comando da família Birman, com Alexandre Birman à frente. A Soma voltará ao controle da família Jatahy, liderada pelo empresário Roberto Jatahy. A fusão entre as empresas havia sido aprovada pelo Cade em março de 2024 e deu origem à Azzas.
O bloco da Arezzo&Co reunirá Arezzo, Schutz, Anacapri, Alexandre Birman, Vans, Vicenza, Paris Texas, Brizza, Carol Bassi, ZZ Mall e Hering. A Soma ficará com Animale, Cris Barros, Maria Filó, NV, Foxton, Reserva, Oficina, Reserva Mini, Reserva Ink, Reserva Go e Off Premium.
A Farm será transferida para uma nova sociedade, com gestão e governança próprias. A empresa reunirá Farm Brasil, Farm Internacional e Fábula. A Arezzo terá 57,4% do negócio, enquanto a Soma ficará com 42,6%. As companhias afirmam que esse formato dará mais flexibilidade à administração da marca e a uma eventual venda futura.
Estrutura acionária e etapas
A reorganização será realizada em três etapas. Primeiro, as marcas serão divididas em dois blocos, com a transformação da Azzas em Arezzo&Co, a separação da Soma e a criação da nova empresa da Farm. Depois, haverá uma cisão parcial, com a transferência das ações da Soma aos acionistas da Azzas. Por fim, os dois blocos farão uma permuta de ações.
Ao final, o bloco Birman deverá ter 32,1% da Arezzo&Co e 6,1% da Soma. O bloco Jatahy venderá sua participação na Arezzo&Co aos Birman e ficará com 25,9% da Soma. Os demais acionistas terão 67,8% de cada companhia.
Segundo as empresas, não haverá pagamento pela troca de ações nem diluição para acionistas minoritários. O valor de mercado da companhia é estimado em R$ 5,2 bilhões. A conclusão depende do registro do retorno da Soma ao grupo de companhias abertas na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e da aprovação da listagem das ações no Novo Mercado da B3.
O Cade classificou a operação como uma "desconcentração econômica". As companhias estimaram que sua participação conjunta já era inferior a 20% nos mercados de vestuário e acessórios, calçados e marketplaces de moda.
A separação ocorre após resultados mais fracos da Azzas e o encerramento de uma disputa entre Jatahy e Birman. No segundo trimestre, o lucro líquido recorrente foi de R$ 106,5 milhões, queda de 62,5% na comparação anual. A receita líquida recuou 8,2%, para R$ 2,66 bilhões. No mesmo período, o Ebitda recorrente foi de R$ 379,6 milhões, e a dívida líquida, em junho, somava R$ 2,13 bilhões.



