O governador do Maranhão, Carlos Brandão (MDB), afirmou que o grupo político ligado ao ex-governador Flávio Dino tentou ampliar seu controle sobre a administração estadual e sobre a Assembleia Legislativa. Segundo Brandão, a disputa levou ao rompimento entre os antigos aliados e fez com que ele desistisse de concorrer ao Senado para permanecer no cargo até o fim do mandato.
Brandão foi vice de Dino nos dois mandatos em que ele governou o estado, de 2015 a 2022. Quando Dino se licenciou para disputar o Senado, Brandão assumiu o governo por oito meses. Depois, foi reeleito para o mandato 2023-2026.
Dino deixou o Senado para assumir o Ministério da Justiça do governo Lula e, posteriormente, uma cadeira no Supremo Tribunal Federal. O grupo político do ex-governador rompeu com Brandão no início da atual gestão.
Disputa pela sucessão
O governador lançou o sobrinho, Orleans Brandão (MDB), como candidato à sucessão. Ele aparece em segundo nas pesquisas, atrás do ex-prefeito de São Luís Eduardo Braide (PSD). Felipe Camarão, vice de Brandão e candidato do PT ao governo, está em terceiro.
Camarão é apoiado por Lula e é considerado por Brandão um aliado de Dino. Apesar da ruptura política, o governador afirma que mantém apoio ao presidente por causa da relação institucional entre os governos. “Lula se tornou um grande parceiro do nosso governo na relação institucional”, disse.
Brandão declarou que decidiu não disputar o Senado porque seu grupo avaliou que a posse de Camarão no governo provocaria uma divisão interna e fortaleceria os adversários. “Eu fui para o sacrifício, deixei de ser candidato para salvar o grupo”, afirmou.
Segundo o governador, os aliados ligados a Dino queriam mais espaço na administração, além das secretarias e cargos que haviam sido combinados, e passaram a pressioná-lo politicamente. Brandão disse que o grupo deixou de agir como aliado e passou a mover processos contra integrantes de sua administração.
Críticas à atuação de Dino
Brandão também criticou Dino por atuar como relator de processos no STF que envolvem o governador, seus familiares e aliados. Para ele, o ministro deveria se declarar impedido por causa da relação política anterior e do rompimento entre os grupos.
A disputa envolve ações relacionadas à nomeação de conselheiros do Tribunal de Contas do Estado do Maranhão. Brandão também citou o afastamento de Daniel Brandão, seu sobrinho, da presidência do TCE-MA, além da prisão domiciliar e do afastamento do cargo de secretário de Raimundo Cutrim, aliado do governador.
O governador questionou a transferência de inquéritos do Superior Tribunal de Justiça para o STF. Os casos incluem uma investigação sobre um assassinato na entrada de um centro comercial em São Luís e apurações sobre nomeações para o TCE-MA.
Brandão negou acusações relacionadas à presença de Daniel Brandão no local do assassinato e rejeitou a afirmação de que Gilbson Cutrim teria levado propina ao grupo político dentro do Palácio dos Leões. Ele disse não conhecer o homem e afirmou que não havia registro da entrada dele no palácio.
Questionado sobre a possibilidade de ser afastado ou preso, Brandão declarou: “tem uma hora que a gente tem que entregar isso para Deus”.
Relação com Dino
Brandão afirmou ainda que ajudou Dino a ingressar na política em 2006. Segundo ele, abriu mão de 50 mil votos e pediu a integrantes de seu grupo político no leste do estado que apoiassem o então juiz federal.
“Eu que botei ele na política, senão ele não tinha renunciado”, disse o governador. Brandão também afirmou que permaneceu leal a Dino durante os dois mandatos em que foi seu vice, período que descreveu como uma relação sem conflitos.



