SÃO LUÍS — O senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, acusou nesta terça-feira (22) o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), de usar uma investigação para perseguir adversários políticos. A declaração foi dada a jornalistas na capital maranhense, durante a campanha eleitoral.
Dino governou o Maranhão entre 2015 e 2022. Para Flávio Bolsonaro, o ministro utiliza de maneira seletiva o inquérito que apura possíveis crimes na execução das chamadas emendas Pix, modalidade de transferência especial de recursos feita por parlamentares para estados e municípios.
“Flávio Dino está ali [no STF] para fazer perseguição política, como ele tem feito aqui no Maranhão, usando seletivamente o inquérito que ele tem”, afirmou o senador.
A investigação sobre as emendas Pix avançou depois que o STF recebeu um relatório técnico do Tribunal de Contas da União (TCU). O documento apontou irregularidades na destinação dos recursos e possível prejuízo aos cofres públicos. Flávio Bolsonaro chamou o caso de “novo inquérito do fim do mundo”, em referência ao inquérito das fake news, relatado pelo ministro Alexandre de Moraes.
O senador também afirmou que há parlamentares suspeitos de mau uso das emendas entre os aliados de Dino no Maranhão e questionou a ausência de medidas contra eles. Em seguida, pediu que o ministro atuasse como juiz e não como militante na Suprema Corte.
Agenda em São Luís
Flávio Bolsonaro chegou a São Luís por volta das 10h desta terça-feira e participou de uma carreata pelas ruas da cidade. O cortejo provocou engarrafamentos e deixou o trânsito lento no fim da manhã.
Mais tarde, apoiadores se reuniram em frente à loja Havan, onde o senador discursou em um trio elétrico ao lado de aliados, entre eles o ex-senador Roberto Rocha (PRTB), candidato ao governo. Depois do comício, Flávio Bolsonaro e aliados próximos foram a uma churrascaria. O senador ainda se encontrou por 20 minutos com pastores evangélicos antes de retornar ao aeroporto.
A crítica a Dino ocorreu durante a escalada de ataques de Flávio Bolsonaro ao STF. Na semana passada, ele havia mirado ministros indicados pelo presidente Lula (PT) e dito que, se eleito, poderia indicar cinco integrantes da Corte. A conta considerava quatro ministros que devem se aposentar e ao menos um que poderia sofrer impeachment.
Em Juazeiro do Norte (CE), o senador também criticou os ministros do STF indicados por Lula e associou o presidente a Alexandre de Moraes. A declaração ocorreu um dia depois de uma sessão que discutiu um relatório da Polícia Federal sobre diálogos entre Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. O documento havia sido solicitado pelo ministro André Mendonça e poderia levar à abertura de uma investigação sobre a conduta de Moraes.



