São Paulo, Terça-feira, 22 de setembro de 2026
Dólar R$ 5,11 · Euro R$ 5,86 · Ibovespa 186.596 -0,00%
A economia explicada todos os dias
Economia

Fazenda prevê crescimento menor e inflação mais baixa neste ano

Ministério reduziu a estimativa de expansão da economia para 2,0% e citou o peso do serviço da dívida sobre o consumo.

Fazenda prevê crescimento menor e inflação mais baixa neste ano
Foto: Jornal Nacional/Reprodução

O Ministério da Fazenda reduziu de 2,3% para 2,0% a projeção de crescimento da economia brasileira neste ano. A revisão foi associada principalmente à desaceleração dos serviços, em um cenário de maior comprometimento da renda das famílias com o pagamento de dívidas.

A estimativa para o setor de serviços caiu de 2,4% para 1,8%. Para a indústria, a previsão passou de 2,1% para 1,7%. A agropecuária compensou parte dessas revisões, com alta da projeção de 1,8% para 2,8%.

No Boletim Macrofiscal, divulgado nesta terça-feira (22), o ministério afirmou que o setor de serviços foi afetado pelo desempenho mais fraco no primeiro semestre e pelos efeitos atrasados da política monetária sobre a demanda doméstica. “O comprometimento com o serviço da dívida atingiu o maior nível da série histórica no segundo trimestre”, diz o documento.

O governo também citou o custo do crédito e a demanda mais fraca por bens de consumo como fatores de pressão sobre a indústria. A atividade extrativa, porém, continua sustentando o setor. O mercado de trabalho segue apoiando os segmentos ligados ao consumo das famílias, enquanto a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda da Pessoa Física aumenta a renda disponível no segundo semestre.

Inflação e combustíveis

A projeção de inflação para 2026 foi reduzida de 5,1% para 4,9%. Desde o início de 2025, o sistema de meta contínua estabelece objetivo de 3%, com intervalo entre 1,50% e 4,50%.

Entre os motivos para a revisão estão os resultados de julho do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), abaixo do previsto anteriormente, principalmente nos alimentos consumidos em casa e, em menor medida, nos serviços. O ministério também considerou a melhora das expectativas para 2026, a manutenção da taxa Selic em nível contracionista e a desaceleração esperada da atividade no segundo semestre de 2026.

A estimativa ainda inclui pressões do fenômeno El Niño e não considera medidas recentes sobre combustíveis. As alíquotas do PIS/Pasep e da Cofins sobre a gasolina foram reduzidas em R$ 0,63 por litro, em substituição à subvenção de R$ 0,44 por litro. Para o etanol hidratado, as contribuições foram zeradas, com redução da carga tributária de R$ 0,19 por litro.

Sem considerar a subvenção ao diesel, a desoneração da gasolina e do etanol hidratado pode reduzir o IPCA em aproximadamente 0,15 ponto percentual, segundo o ministério.

Projeções para 2027 e petróleo

Para 2027, a previsão de crescimento foi revisada de 2,5% para 2,3%, refletindo os efeitos da política monetária contracionista. A Fazenda avalia que a queda da Selic iniciada em 2026 deve chegar gradualmente ao crédito e à demanda doméstica, estimulando a indústria de transformação, a construção e os serviços mais cíclicos.

A projeção de inflação para 2027 subiu de 3,6% para 3,8%. A revisão incorpora os possíveis efeitos de um El Niño mais intenso sobre a safra, além de riscos relacionados aos preços das carnes, ao mercado de fertilizantes e à aceleração do IPA-DI agropecuário.

O ministério também passou a considerar persistentes os efeitos do conflito entre Estados Unidos e Irã sobre o mercado de energia. O fluxo de embarcações pelo Estreito de Ormuz permaneceu abaixo dos níveis anteriores ao conflito, enquanto ataques no Mar Vermelho mantêm riscos sobre o estreito de Bab el-Mandeb.

A cotação do petróleo Brent superou U$100 por barril na primeira semana de setembro. Com a redução dos estoques mundiais, a projeção para o preço médio do barril neste ano subiu de US$ 79,2 para US$ 87,7. Para 2027, passou de US$ 71,0 para US$ 79,5.

Texto produzido pela Redação Nexo Econômico com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

Assine nossa newsletterAs principais notícias do dia no seu e-mail.