As pesquisas eleitorais nacionais podem recorrer a entrevistas presenciais, ligações telefônicas, questionários on-line ou uma combinação desses métodos. As diferenças aparecem também na escolha dos municípios, na definição das cotas e na forma de ajustar os resultados coletados.
Depois da aplicação dos questionários, é praxe entre os institutos conferir ao menos 15% dos formulários para identificar possíveis anomalias. Em levantamentos nacionais, a amostra costuma ter cerca de 2.000 pessoas de 16 anos ou mais. A margem de erro geralmente fica em dois pontos percentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.
Entrevistas presenciais
No Datafolha, entrevistadores abordam pessoas em pontos de fluxo populacional. Os municípios são sorteados e, depois, são definidos bairros e locais de abordagem. A coleta ocorre em ao menos 113 cidades de pequeno, médio e grande porte, distribuídas por todas as regiões do Brasil.
A composição da amostra considera região geográfica e natureza dos municípios, como capital, região metropolitana e interior. Os entrevistados são escolhidos aleatoriamente, dentro de cotas de gênero e idade baseadas em dados do IBGE e do TSE. Escolaridade e renda também são acompanhadas com base no histórico de pesquisas do instituto. A amostra é de cerca de 2.000 pessoas de 16 anos ou mais, com margem de erro máxima de 2 pontos percentuais e nível de confiança de 95%.
Outra metodologia presencial é feita em domicílios. Nesse modelo, a amostra é definida em três estágios: sorteio de municípios, seleção de setores censitários conforme o tamanho da população e definição do número de habitantes entrevistados. As cotas levam em conta região, estado, sexo, faixa etária, grau de instrução e renda familiar.
Segundo a Quaest, as pesquisas de 2026 também consideram o perfil político dos respondentes. A empresa agrupa, por meio de um algoritmo, localidades com características políticas e sociais semelhantes, buscando representar os diferentes segmentos políticos. São cerca de 2.000 entrevistas, com margem de erro estimada em 2 pontos percentuais e intervalo de confiança de 95%.
Questionários pela internet
Uma das metodologias usa questionários distribuídos on-line, com coleta aleatória. Depois, as respostas recebem pesos diferentes para ajustar a amostra conforme gênero, faixa etária, escolaridade, nível econômico e região.
Os participantes são recrutados pelo método RDR (Recrutamento Digital Aleatório). O instituto afirma que a estratégia evita o “impacto psicológico da interação humana sobre o respondente”, que permanece anônimo diante do entrevistador. O levantamento divulgado em 31 de agosto ouviu 5.014 respondentes da população adulta brasileira, com margem de erro de 1 ponto percentual e nível de confiança de 95%.
Ligações telefônicas
Há pesquisas feitas por telefone com pessoas de 16 anos ou mais que têm título de eleitor. Os participantes são sorteados em uma amostra representativa do eleitorado com acesso a telefones fixos e móveis. A seleção é estratificada pelo DDD, a partir de um cadastro de telefones registrados na Anatel, e controlada por sexo, idade, escolaridade e tipo de aparelho.
Segundo a Nexus, os números são gerados aleatoriamente por algoritmo, considerando combinações válidas e o código de área da região pesquisada. São cerca de 2.000 entrevistas, distribuídas proporcionalmente pelas regiões e cobrindo as 27 unidades da federação. A margem de erro estimada é de 2 pontos percentuais, com intervalo de confiança de 95%.
Outra pesquisa telefônica seleciona aleatoriamente, com auxílio de computador, eleitores de 16 anos ou mais nas localidades indicadas. A amostra é estratificada por região geográfica e unidade da federação, com variáveis como gênero, faixa etária, grau de instrução e renda. O levantamento tem cerca de 2.000 entrevistas, margem de erro de 2,2 pontos percentuais e nível de confiança de 95%.
Também são usados sistemas de ligações automatizadas para telefones fixos e celulares. Nesse caso, os números são estratificados por região, com base no CEP associado a cada telefone, e apenas entrevistas completas são consideradas. Os dados podem receber pesos diferentes conforme região, sexo, idade, renda e escolaridade.
As pesquisas nacionais desse modelo têm mais de 2.000 respondentes nas 27 unidades da federação. Um levantamento realizado de 30 de agosto a 2 de setembro reuniu 3.000 entrevistas em 716 municípios, com margem de erro de 1,8 p.p. e intervalo de confiança de 95%.
Coleta combinada
A RealTime Big Data combina entrevistadores humanos e recursos de inteligência artificial, com abordagens por telefone e meios digitais. Antes das ligações, mensagens virtuais convidam pessoas a participar.
A ferramenta de inteligência artificial seleciona previamente perfis sociodemográficos na base de dados da empresa. Os entrevistadores fazem a coleta por telefone, e a empresa realiza uma checagem dupla, virtual e telefônica, para auditoria interna, segundo Lucas Thut Sahd, diretor executivo da RealTime Big Data.
Os municípios são sorteados considerando a população residente de 16 anos ou mais. Depois, são escolhidas localidades dentro deles, com seleção de respondentes por cotas proporcionais de gênero, faixa etária, escolaridade e renda. Em geral, são cerca de 2.000 respondentes, com margem de erro aproximada de dois pontos e intervalo de confiança de 95%.
Há ainda levantamentos presenciais em domicílios e pontos de fluxo. Neles, as entrevistas são distribuídas proporcionalmente ao eleitorado das regiões e das unidades da federação. Dentro de cada estado, a alocação considera o porte dos municípios; depois, bairros e setores são sorteados. Os respondentes atendem a cotas de sexo, faixa etária, renda familiar e escolaridade. Para cerca de 2.000 entrevistas, a margem de erro é de 2 p.p., com 95% de intervalo de confiança.



