SÃO PAULO — O número de militares e policiais eleitos aumentou nesta eleição, mesmo com a redução na quantidade de candidatos do segmento. Foram 99 eleitos, equivalentes a 8% dos concorrentes desse universo. Em 2022, haviam sido 94, ou 4,9% do total.
O resultado fica abaixo do registrado em 2018, quando 118 militares e policiais conseguiram se eleger. Naquele ano, porém, a proporção de eleitos entre os candidatos do segmento também foi de 8%, o mesmo índice da eleição atual e o maior das eleições recentes.
Menos candidatos
Nesta eleição, 1.233 candidatos informaram à Justiça Eleitoral que eram integrantes ou egressos das Forças Armadas e das forças de segurança, ou usaram na urna alguma patente ou referência a essas instituições. O grupo representou 5,9% do total de candidatos.
Em 2022, foram 1.924 candidatos nesse estrato, correspondente a 6,6% do total. A redução foi de 36,4%.
O levantamento considerou candidatos que declararam ocupações como policial civil ou militar, bombeiro militar, militar reformado e integrante das Forças Armadas. Também foram identificadas, pelo nome de urna, patentes e outras ocupações relacionadas a esse universo. Como a declaração é feita pelos próprios candidatos, o número real pode ser maior.
Não entraram na contagem alguns políticos que não declararam ocupação militar nem usaram patente no nome de urna. É o caso de Tarcísio de Freitas, reeleito em São Paulo, de Luciano Zucco, eleito no Rio Grande do Sul, e de Guilherme Derrite, capitão da reserva da PM-SP. À Justiça Eleitoral, Tarcísio informou ser governador, enquanto Zucco e Derrite declararam ser deputados.
Mais votados e partidos
O candidato do segmento com mais votos foi o capitão da reserva do Exército Renan Contar, conhecido nas campanhas como Capitão Contar (PL). Ele foi eleito senador em Mato Grosso do Sul com 856 mil votos.
Na sequência aparecem o delegado da Polícia Civil Lenildo Sertão, o Delegado Caveira (PL), eleito deputado federal mais votado do Pará, com 414,9 mil votos; e Alessandro Vieira (MDB), identificado nas urnas como Delegado Vieira, reeleito senador em Sergipe com 399,7 mil votos.
Entre os egressos das Forças Armadas, General Pazuello (PL-RJ) foi reeleito deputado federal com 146,1 mil votos. Major Vitor Hugo (PL-GO), que era vereador em Goiânia, também voltará à Câmara dos Deputados, após receber 104,4 mil votos.
Os policiais militares formaram o maior grupo entre candidatos e eleitos. Em São Paulo, Israel Nantes Santos, o Sargento Nantes (PP-SP), ficou em sétimo lugar na disputa para deputado federal, com 333,4 mil votos. Na Paraíba, Gilberto Gomes da Silva, o Cabo Gilberto Silva (PL-PB), foi o deputado federal mais votado, com 267,1 mil votos.
O PL elegeu 51 militares ou policiais entre 195 candidatos, uma taxa de 26,2%. O PP teve 11 eleitos entre 47 postulantes, ou 23,4%. Já o Republicanos elegeu 8 dos 121 candidatos do segmento, proporção de 6,6%.
Dos 29 condenados pelo STF no processo principal da trama golpista, 21 são militares das Forças Armadas. O grupo também inclui integrantes das polícias Federal, Civil e Rodoviária Federal, além de cinco coronéis da cúpula da PM-DF condenados e presos por omissão nos ataques de 8 de Janeiro.




