BOA VISTA — O candidato ao Senado por Roraima Antonio Carlos Nicoletti (PL) defendeu a regularização do garimpo em comunidades e terras indígenas do estado. A proposta foi apresentada durante uma sabatina realizada nesta terça-feira (8), em Boa Vista.
Nicoletti associou a degradação ambiental e a violência nas áreas de exploração à falta de regulamentação e à ausência do Estado. Em Roraima, não existem garimpos legalizados, e a maior parte da atividade ocorre de forma ilegal em terras indígenas, onde a exploração é proibida pela Constituição Federal.
Fiscalização e participação indígena
O candidato propôs a presença de órgãos como o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), polícias e a Receita Federal nas regiões de exploração. Segundo ele, a medida ajudaria a combater o tráfico de drogas e armas e permitiria a cobrança de impostos.
Nicoletti afirmou que a regulamentação faria o Estado acompanhar e ajustar os processos de mineração para buscar equilíbrio ambiental. Também defendeu uma consulta prévia às comunidades indígenas e a possibilidade de os próprios indígenas participarem da exploração.
“Se o Estado estivesse lá dentro com o Ibama, com a Funai, estivesse lá com a polícia lá dentro, não teria tráfico hoje”, disse.
Propostas para as fronteiras
Na mesma entrevista, o candidato defendeu apoio e armamento para guardas municipais que trabalham em áreas de fronteira, como Pacaraima e Bonfim, no norte de Roraima. Ele também propôs integrar Polícia Federal (PF), Polícia Rodoviária Federal (PRF), Polícia Militar e Guardas Civis Municipais.
A articulação seria coordenada por uma Secretaria de Segurança Pública unificada, com foco no combate à entrada de drogas e armas no estado. Nicoletti também afirmou que o governo federal trata as fronteiras com descaso e defendeu uma legislação de imigração “mais forte e mais dura”. Entre as medidas citadas estão a exigência de antecedentes criminais e de cartão de vacinação para quem entrar no país.
Migrantes venezuelanos que chegam ao Brasil pela fronteira com Roraima já passam por triagem de saúde durante o atendimento.
O candidato se declarou opositor ao governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Caso Lula seja reeleito, disse que não trocará apoio no Senado por recursos adicionais para Roraima. Nicoletti afirmou que cada senador dispõe de cerca de R$ 80 milhões em emendas parlamentares impositivas para os municípios do estado e que, por terem execução obrigatória, os recursos não dependeriam de negociação com o Palácio do Planalto.
Trajetória
Antonio Carlos Nicoletti tem 45 anos, nasceu em Ijuí (RS) e é formado em direito. Entrou no Exército Brasileiro em 2001 e na Polícia Rodoviária Federal em 2015. Atualmente, exerce o segundo mandato consecutivo como deputado federal por Roraima.
Na disputa deste ano, seus suplentes são Velton Quincozes Poleto, primeiro, e Michele Marques Gutierrez, segunda.
Nicoletti foi o segundo candidato ao Senado entrevistado ao vivo na série de sabatinas realizada em Boa Vista. A programação reúne os cinco candidatos mais bem colocados na primeira pesquisa Quaest, contratada pela Rede Amazônica e divulgada em 27 de agosto. A ordem foi definida por sorteio.
A entrevista de Hélio Lopes (PL), prevista para segunda-feira (7), não ocorreu porque ele faltou. Chico Rodrigues (PSB) seria entrevistado na quarta-feira (9), Helena da Asatur (PSD) na quinta-feira (10) e Teresa Surita (MDB) na sexta-feira (11).



