São Paulo, Quarta-feira, 30 de setembro de 2026
Dólar R$ 5,22 · Euro R$ 5,92 · Ibovespa 183.828 -0,00%
A economia explicada todos os dias
Política

Planilhas do WiFi Livre têm pontos fora de São Paulo e datas futuras

Documentos validados pela prefeitura apresentam coordenadas, CEPs e datas de instalação incompatíveis com os endereços dos equipamentos.

Prefeitura de SP aprovou planilha de ONG ligada a 'Dark Horse' que indica ponto de Wi-Fi em praia carioca

Planilhas de prestação de contas do programa WiFi Livre, administrado pelo Instituto Conhecer Brasil (ICB), apresentam informações incompatíveis sobre a localização e a instalação de pontos de internet. Os documentos foram validados pela Prefeitura de São Paulo, embora indiquem equipamentos em outros municípios e até em outro estado, além de registrarem datas futuras para pontos que já aparecem como ativos.

O ICB recebeu mais de R$ 100 milhões pelo serviço e é comandado por Karina Ferreira da Gama, dona da produtora responsável pelo filme “Dark Horse”, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. O contrato foi assinado em junho de 2024, durante a gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB), sob supervisão da Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia (SMIT).

As inconsistências dificultam a conferência de onde os equipamentos foram instalados, quando entraram em funcionamento e qual é a cobertura de cada ponto. A análise identificou coordenadas que levam a outros municípios paulistas e a outros estados, além de CEPs que não correspondem aos endereços informados.

Diferenças entre as planilhas

Uma das planilhas foi enviada pelo ICB à prefeitura em 19 de janeiro de 2025 e relaciona 2.673 pontos instalados entre agosto de 2024 e janeiro de 2025. Outra, com 2.929 pontos, foi localizada em documentos apreendidos durante uma operação na SMIT em 10 de junho de 2026. Os metadados indicam que esse segundo arquivo pode ter sido criado em março de 2026.

As bases têm 2.673 registros em comum e a segunda acrescenta outros 256 pontos. Apesar de os endereços, CEPs e coordenadas se referirem aos mesmos equipamentos, as datas de instalação mudam para 2026. Um ponto na rua Emílio Castro, no Jardim Damasceno, aparece como instalado em dezembro de 2024 na primeira planilha e em dezembro de 2026 na segunda. Nos dois casos, o link está indicado como ligado.

As coordenadas de 37 pontos apontam para fora de São Paulo. Um equipamento associado à rua Angelo Bini, no Conjunto Residencial José Bonifácio, em Itaquera, tem latitude -22,762988 e longitude -43,110262, localização que corresponde à Ilha de Paquetá, no município do Rio de Janeiro. O registro informa instalação em outubro de 2024.

Outro ponto, no Jardim das Oliveiras, no Itaim Paulista, tem o nome da rua escrito como “Rua Doutor José Pereira Gome” e coordenadas que levam a Jundiaí. Há também um registro na “rua Travessa Barão Ferraz Uruquaiana”, com coordenadas associadas a Sorocaba.

As planilhas apresentam ainda 16 pontos com CEPs de outras cidades: 15 de Ferraz de Vasconcelos e um de Cotia. Um ponto em Cidade Tiradentes aparece com o CEP 00941-465, que não corresponde a um código postal válido no país.

Fiscalização e investigações

Depois da primeira prestação de contas, a prefeitura prorrogou o contrato duas vezes: em junho de 2025 e em janeiro de 2026. Com os aditamentos, o valor total passou de R$ 157 milhões. Em 16 de dezembro de 2025, a SMIT recomendou nova extensão por 12 meses e classificou como satisfatória a execução da parceria.

A Secretaria afirmou que os pontos são fiscalizados periodicamente por monitoramento técnico e georreferenciado e que a execução foi comprovada por documentos e fotografias. Também declarou que inconsistências cadastrais são comunicadas à instituição responsável. Depois, a prefeitura disse que as falhas pontuais não comprometem a fiscalização do acordo.

O ICB afirmou que as planilhas representam momentos diferentes de atualização da base operacional e que a conferência deve considerar o arquivo mais recente encaminhado à SMIT. A organização também informou que utiliza o georreferenciamento para acompanhar os pontos.

O contrato é alvo de investigações da Polícia Federal e da Polícia Civil de São Paulo. Em relatório relacionado a uma operação determinada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal Flávio Dino em 10 de setembro, a Polícia Federal apontou indícios de uma triangulação financeira de ao menos R$ 6,1 milhões entre empresas e entidades ligadas a Karina da Gama.

A Polícia Civil de São Paulo registrou suspeitas de que recursos do WiFi Livre tenham sido desviados para financiar a produção de “Dark Horse”.

Texto produzido pela Redação Nexo Econômico com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

Assine nossa newsletterAs principais notícias do dia no seu e-mail.