A falta de dados estaduais sobre o número de pacientes que aguardam exames, consultas especializadas e cirurgias eletivas é um dos pontos centrais do debate sobre a saúde em Minas Gerais. A Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) afirma que a organização das filas cabe aos municípios e que a pasta atua "no apoio técnico, na coordenação e no planejamento das políticas públicas de saúde".
Os planos de governo dos candidatos ao Palácio Tiradentes apresentam caminhos diferentes para ampliar o atendimento fora da capital, organizar a regulação e reduzir a espera por procedimentos. As propostas foram apresentadas à Justiça Eleitoral.
Transparência e organização das filas
Flávio Roscoe (PL) propõe publicar, por macrorregião, o tempo médio de espera por cirurgias eletivas e exames. O candidato também prevê um painel público, acessível por aplicativo, com a fila de cirurgias eletivas por hospital em tempo real.
Gabriel (MDB) defende forças-tarefa regionais para reduzir a espera por procedimentos especializados e de média complexidade. A proposta prevê critérios clínicos e territoriais e mais transparência nas informações. O plano também prioriza a organização regional antes da criação de novas estruturas físicas, com fortalecimento dos consórcios de saúde e coordenação estadual dos fluxos de atendimento.
Alexandre Kalil (PDT) propõe criar linhas regionais para consultas, exames e procedimentos de maior demanda. O modelo teria indicadores de fila, tempo de espera e capacidade instalada. O candidato também defende reorganizar os Centros Estaduais de Atenção Especializada e estabelecer parcerias com hospitais filantrópicos e universitários.
Atendimento especializado fora da capital
Kalil afirma que cada macrorregião deve ter planejamento integrado e uma definição clara dos serviços disponíveis. O plano prevê avaliação permanente da localização das bases de ambulâncias e o fortalecimento do Tratamento Fora de Domicílio, considerando transporte, necessidade de acompanhante e outras situações.
Ben Mendes (Missão) propõe polos de especialidades para que cada regional, por meio de hospitais públicos ou particulares conveniados, possa atender localmente casos de média e alta complexidades. O candidato também defende a construção de hospitais regionais no Norte do estado e no Jequitinhonha, além da otimização da Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig).
Patrus Ananias (PT) propõe ampliar a capacidade regional de atendimento especializado com investimentos em hospitais regionais e consórcios intermunicipais. O plano também prevê reestruturar a Fhemig e ampliar sua atuação no interior.
Patrus defende ainda a recuperação da capacidade de decisão das regiões de saúde, para evitar a concentração, em Belo Horizonte, da regulação de consultas, exames e internações. A regulação, segundo o plano, deve ser regionalizada, integrada e transparente, com participação dos municípios e dos serviços de saúde, critérios públicos de prioridade e informações atualizadas sobre filas e disponibilidade de leitos.
Túlio Lopes (PCB) também propõe reorganizar as regionais de saúde, mas com base no fluxo real da população. O candidato acrescenta a ideia de oferecer transporte intermunicipal gratuito para procedimentos e tratamentos. O plano prevê ainda ampliar a capacidade de diagnóstico nos hospitais regionais.
Atenção primária e telessaúde
Cleitinho Azevedo (Republicanos) propõe uma tabela mineira de procedimentos estratégicos para complementar o financiamento federal de exames, consultas especializadas e cirurgias eletivas. O plano também prevê apoio aos municípios para construir, ampliar e modernizar Unidades Básicas de Saúde (UBSs).
Para reduzir deslocamentos, Cleitinho defende protocolos clínicos atualizados, exames rápidos e expansão da telessaúde.
Ben Mendes propõe que os pacientes sejam acompanhados necessariamente pela atenção primária antes de acessar serviços especializados. O candidato também defende telemedicina para urgências e consultas com especialistas e sugere que esses profissionais analisem todas as solicitações de internação, com o objetivo de evitar filas longas.
Gabriel prevê investimentos em atenção primária e o uso da telemedicina como ferramenta de acesso, sem substituir de forma indiscriminada o atendimento presencial. Mateus Simões (PSD) também coloca a atenção primária como principal instrumento de promoção da saúde e prevenção de doenças, em articulação com os municípios. Seu plano menciona ainda telessaúde e diagnóstico remoto.
Patrus Ananias propõe ampliar a cobertura da Estratégia de Saúde da Família e integrar a atenção básica com saúde mental, assistência farmacêutica e redes especializadas. Indira Xavier (UP) defende investimentos no Sistema Único de Saúde (SUS) e o fortalecimento da atenção primária com apoio técnico e recursos do estado.
Estrutura, profissionais e cobertura
Mateus Simões, governador e candidato à reeleição, reconhece no plano a desigualdade regional no acesso à atenção especializada, a dificuldade de fixar profissionais no interior e a demanda represada por procedimentos eletivos. Ele promete acelerar e expandir a redução do tempo de espera por cirurgias e exames, mas não detalha como fará isso.
O plano de Indira Xavier também prevê garantir o funcionamento da saúde pública em todo o estado, incluindo povos indígenas e comunidades quilombolas em zonas rurais e áreas urbanas.
Henrique Áreas (PCO) propõe aumentar as verbas para a saúde pública sem limite de gastos e implementar um plano de emergência para construir hospitais e postos de saúde. Ele também defende o programa Mais Médicos, a validação imediata dos diplomas de médicos estrangeiros residentes no país e a abertura de cursos de medicina sem vestibular nas universidades públicas.
Rafael Duda (PSTU) propõe melhorias na estrutura da Fhemig, contratação de profissionais por concurso público e ampliação das unidades de urgência e emergência. O candidato também defende políticas para doenças crônicas e idosos, conselhos populares para acompanhar a prestação dos serviços e expansão da rede física do SUS.
Túlio Lopes inclui entre suas propostas a abertura de postos, o fortalecimento da Saúde da Família e a formação de agentes comunitários. O candidato também defende um plano estadual de tecnologia em saúde e conselhos de saúde com poder deliberativo sobre o orçamento e a definição de prioridades.



