PARNAMIRIM — O Brasil testa uma plataforma espacial capaz de levar experimentos a mais de 100 km de altitude, submetê-los à microgravidade e retornar à Terra com as amostras. A recuperação será feita por paraquedas e pode permitir análises mais completas do que a simples transmissão de dados durante o voo.
A Plataforma Suborbital de Microgravidade (PSM-R) está acoplada ao foguete brasileiro VS-30 V16. O lançamento ocorre no Centro de Lançamento da Barreira do Inferno, em Parnamirim (RN), em uma operação que envolve a Força Aérea Brasileira (FAB) e começou no dia 31 de agosto, com conclusão prevista para o próximo dia 19.
O foguete, desenvolvido pelo Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE), não foi projetado para entrar em órbita. Após a subida, a plataforma se separa, passa por um período de microgravidade de 6 a 8 minutos e depois inicia o retorno. Um paraquedas guia reduz a velocidade e organiza a abertura do paraquedas principal, que permite a recuperação do equipamento.
Por que recuperar os experimentos
A Agência Espacial Brasileira (AEB) afirma que a microgravidade pode ser usada em pesquisas sobre materiais, combustão, medicamentos e agricultura espacial. Nessa condição, a gravidade não desaparece, mas sua influência diminui, alterando fenômenos físicos e químicos. Um exemplo é a formação mais uniforme de cristais, relevante para estudos farmacêuticos, alimentícios e de materiais.
O professor Luis Cláudio de Oliveira Silva, da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), explicou que a plataforma envia sinais de GPS após a queda. O equipamento é projetado para flutuar, e um helicóptero da FAB pode localizar e resgatar a cápsula mesmo na água.
Um dos experimentos leva um Cubesat 1U com microrganismos liofilizados e sensores de radiação. O objetivo é verificar se fungos e bactérias resistem às condições do voo e continuam viáveis depois dele. Os resultados serão comparados com os de um minissatélite mantido em Terra e com testes de microgravidade produzida por clinorotação.
Em 2022, o Brasil lançou, da base de Alcântara, no Maranhão, o foguete VSB-30 com uma versão de qualificação da plataforma. Na ocasião, os dados foram obtidos por telemetria. A Operação Potiguar 2 concentra-se no desempenho do sistema de recuperação em condições reais.
Segundo a AEB, a plataforma poderá ser reutilizada até quatro vezes, embora o foguete lançador não seja reaproveitável. Para o presidente da agência, Marco Antonio Chamon, o desenvolvimento do equipamento representa avanço na autonomia brasileira em voos suborbitais.



