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Política

Protestos estudantis ampliam pressão sobre governo de Macron na França

Bloqueios em liceus, confrontos e temor de influência da extrema esquerda elevam a tensão antes das eleições presidenciais.

Protestos estudantis ampliam pressão sobre governo de Macron na França

Protestos estudantis que começaram em Seine-Saint-Denis, no norte de Paris, se espalharam pela França e passaram a representar um problema político para o governo de Emmanuel Macron. O movimento envolve bloqueios de escolas, episódios de violência, detenções e acusações de que a extrema esquerda tenta influenciar as manifestações.

Na quinta-feira (1/10), centenas de liceus — escolas em que jovens de 15 a 18 anos concluem os estudos — estavam bloqueados. No dia seguinte, cerca de 400 continuavam fechados para proteger funcionários e alunos. Universidades também começaram a aderir aos protestos.

A violência atingiu o salão principal de um liceu em Nantes, destruído por um incêndio. Outros focos menores foram registrados nos portões de escolas em diferentes partes do país. O prejuízo estimado chega a milhões de euros.

Feridos e detenções

O ministro da Educação, Édouard Geffray, afirmou que 65 integrantes do corpo docente ficaram feridos, entre eles 40 diretores de escolas. “A maioria dos funcionários feridos afirmou que as pessoas com quem se depararam... não eram seus próprios alunos”, disse.

O governo também informou que cerca de 300 policiais e bombeiros receberam atendimento médico por causa de ferimentos. Aproximadamente 2 mil pessoas foram detidas, a maioria menor de idade. Grupos estudantis, por outro lado, dizem ter uma lista extensa de pessoas feridas pela polícia. Dois adolescentes tiveram lesões oculares graves, e um perdeu vários dentes.

As reivindicações dos estudantes envolvem falta de dinheiro, contratação de mais professores, redução do tamanho das turmas e melhoria das instalações. Parte da sociedade francesa concorda com essas demandas, em um país onde protestos por recursos públicos são considerados uma forma legítima de pressão.

A margem para atender aos pedidos, porém, diminuiu. O primeiro-ministro Sébastien Lecornu apresentou nesta semana uma proposta de orçamento para o próximo ano e promete retirar 54 bilhões de euros dos gastos públicos. Nesse cenário, pedidos como uma enfermeira escolar adicional ou melhorias no isolamento térmico dos refeitórios podem não ser atendidos.

Disputa política

A principal preocupação do governo e de setores da direita e do centro é que os protestos estejam sendo usados pela extrema esquerda para aumentar a tensão social antes das eleições presidenciais. Esses grupos apontam a atuação do partido França Insubmissa (LFI) e de seu candidato, Jean-Luc Mélenchon.

Líderes da LFI apareceram ao lado de estudantes, principalmente no subúrbio parisiense de Saint-Denis. O prefeito local, Bally Bagayoko, foi criticado depois de afirmar que “a violência às vezes pode ser legítima”.

Um relatório interno elaborado para o departamento de polícia de Paris e posteriormente divulgado analisou o movimento em Seine-Saint-Denis. O documento afirmou que estudantes eram “incitados por elementos de extrema esquerda de grêmios estudantis... e grupos políticos como... a LFI”. Também avaliou que as tensões poderiam integrar uma estratégia para inflamar os ânimos e impor ideias antes das eleições nacionais.

Entre os elementos citados no relatório estão a participação de pessoas que não seriam estudantes do ensino médio, a falta de clareza das reivindicações, o uso de bandeiras palestinas e argelinas e a convocação de protestos adicionais em delegacias de polícia.

A LFI nega ter feito mais do que apoiar um movimento que considera legítimo. Mélenchon pediu aos estudantes que evitassem a violência.

Apoio a Mélenchon

O candidato tem apoio de cerca de 40% entre os jovens de 18 a 24 anos na França, de acordo com as pesquisas mencionadas. Esse apoio se concentra nos subúrbios populosos e com alta imigração das cidades. Ao mesmo tempo, os jovens estão entre os grupos que mais deixam de votar nas eleições francesas.

A estratégia política, à medida que a eleição se aproxima, seria lembrar essa parcela do eleitorado de que a LFI está ao seu lado e de que seu voto pode ser decisivo. Mélenchon tem 75 anos e é apontado como alguém com boas chances de chegar ao segundo turno em maio, provavelmente contra Marine Le Pen, candidata de extrema-direita.

As pesquisas indicam uma derrota ampla de Le Pen em um eventual segundo turno contra Mélenchon. Para seus adversários, a atual onda de protestos pode ser um sinal da instabilidade que a França enfrentará no período eleitoral.

Texto produzido pela Redação Nexo Econômico com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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