APARECIDA — O arcebispo de Aparecida, dom Mário Antônio da Silva, pediu que a celebração do Dia da Padroeira seja marcada pela fé, pela esperança e pelo respeito às diferenças, sem disputas políticas. A principal missa será realizada nesta segunda-feira (12), às 9h, no Santuário Nacional.
Em sua primeira festa de Nossa Senhora Aparecida à frente da arquidiocese, o religioso afirmou que o santuário deve ser um espaço de acolhimento e fraternidade. “Que ninguém venha a Aparecida para alimentar divisões ou animosidades”, disse.
A celebração ocorre durante a campanha presidencial de 2026, que foi marcada por uma polêmica envolvendo a santa. Uma notícia falsa afirmou que o senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência, pretendia retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil. A informação recuperou um projeto apresentado em 2007 pelo então deputado Victorio Galli e arquivado no ano seguinte.
Flávio Bolsonaro negou a intenção atribuída a ele e recorreu à Justiça. O caso foi analisado pelo TSE e pelo STF. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), adversário de Flávio nas urnas, reafirmou que Aparecida continuaria como padroeira do Brasil.
Orientação aos peregrinos
Dom Mário afirmou que a festa deve aproximar pessoas com posições diferentes. Ele recomendou que os fiéis evitem ofensas e discursos de ódio em casa, nas comunidades e nas redes sociais. Para o arcebispo, a unidade cristã não exige que todos pensem da mesma forma, mas que reconheçam a dignidade uns dos outros.
O religioso também pediu que os peregrinos deixem o santuário dispostos a cuidar do próximo. Entre os exemplos citados estão oferecer companhia a quem vive na solidão e ajudar pessoas que passam necessidade.
Empossado em 2 de maio passado, dom Mário disse que conduzir a celebração é uma missão de acolhimento aos fiéis. Ele não antecipou o conteúdo do sermão, mas afirmou que a data deve incluir orações, agradecimentos e o cumprimento de promessas.
Segurança e presença de autoridades
Os candidatos Flávio Bolsonaro e Lula não devem comparecer a Aparecida na segunda-feira. O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) confirmou presença, assim como o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB). A agenda do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) não havia sido divulgada.
Segundo a Secretaria da Segurança Pública, o policiamento será reforçado. Entre este sábado (10) e segunda-feira, quase 660 policiais militares estarão na cidade. A Polícia Militar e a Polícia Rodoviária Federal também deverão usar helicópteros na segurança dos romeiros.
No ano passado, quase 500 mil fiéis visitaram o Santuário Nacional entre os dias 1º e 12, sendo 152 mil apenas no Dia da Padroeira. A concessionária RioSP e a PRF estimam que mais de 40 mil peregrinos sigam a pé para Aparecida pela rodovia Presidente Dutra.



