SÃO PAULO — Hernán Diego Dirisio foi extraditado da Argentina para o Brasil nesta quarta-feira (9). O argentino é apontado pelas autoridades de seu país como o maior contrabandista de armas da América do Sul e era procurado pela Justiça brasileira por tráfico internacional de armamentos, organização criminosa e lavagem de dinheiro.
Segundo o governo de Javier Milei, Dirisio teria fornecido mais de 25 mil armas ao Primeiro Comando da Capital (PCC) e ao Comando Vermelho. Conhecido como “mestre das armas”, ele foi entregue pela Polícia Federal Argentina às autoridades brasileiras em São Paulo.
A extradição foi solicitada pela Justiça brasileira e coordenada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, por meio da Secretaria Nacional de Justiça (Senajus). O governo brasileiro afirmou que o procedimento permite que investigados ou condenados no exterior respondam perante o sistema de Justiça do país.
Investigação e prisão
Dirisio foi preso em Córdoba, na Argentina, em 2 de fevereiro de 2024, depois de ser incluído em um alerta internacional da Interpol a pedido das autoridades brasileiras. O processo de extradição foi acompanhado por representantes dos dois países até a entrega.
As investigações começaram em 2020, em Vitória da Conquista, na Bahia, após a prisão em flagrante de duas pessoas com 23 pistolas de fabricação croata, dois fuzis com indícios de adulteração, munições e carregadores.
Uma perícia da Polícia Federal identificou uma importadora no Paraguai que seria responsável pela aquisição de armas de países europeus, entre eles Croácia, Turquia, República Tcheca e Eslovênia. Conforme a investigação, a organização tinha sete núcleos, encarregados de comprar os armamentos, negociar com facções brasileiras, enviar os produtos ao Brasil e lavar o dinheiro.
A Polícia Federal informou que os recursos usados na importação passavam por empresas sediadas em Miami, nos Estados Unidos. Os pagamentos dos compradores brasileiros seriam ocultados por doleiros que atuavam no Brasil e no Paraguai. Conversas interceptadas também apontaram contatos entre negociadores na fronteira e integrantes da cúpula do PCC e do Comando Vermelho.
Na época da operação, a Polícia Federal estimava que a empresa investigada havia importado cerca de 43 mil armas para o Paraguai e movimentado aproximadamente R$ 1,2 bilhão. O governo argentino declarou: “Argentina não é refúgio de criminosos. Fazem, pagam”



