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Ângelo Calmon de Sá doa R$ 400 mil à campanha de Flávio Bolsonaro

Ex-ministro de Geisel e ex-presidente do Banco Econômico condenado por fraude é o terceiro maior doador pessoa física da campanha.

Ângelo Calmon de Sá doa R$ 400 mil à campanha de Flávio Bolsonaro
Foto: Luiz Carlos Murauskas/Folha Imagem/Luiz Carlos Murauskas/Folhapress

Ângelo Calmon de Sá, ex-ministro de Indústria e Comércio do governo Ernesto Geisel e ex-presidente do Banco Econômico, doou R$ 400 mil à Direção Nacional do PL para a campanha presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Os dados constam do sistema Divulgacand, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Aos 91, Calmon de Sá é o terceiro maior doador pessoa física da campanha. Ele fica atrás de Fernando de Castro Marques, CEO da União Química Farmacêutica, e de Erasmo Carlos Battistella, dono da Be8, que contribuíram com R$ 500 mil cada.

A campanha de Flávio arrecadou R$ 44,4 milhões até o momento. Desse total, R$ 42 milhões vieram do Fundo Especial do PL. O senador também destinou R$ 12.285 de recursos próprios à candidatura. Walter Schlatter, prefeito de Chapadão do Sul (MS), doou R$ 300 mil, enquanto Waldemar Verdi Júnior, presidente do conselho de administração da Rodobens, contribuiu com R$ 180 mil.

Trajetória no governo e no Banco Econômico

Engenheiro civil, Calmon de Sá presidiu o Banco do Brasil durante o governo de Emílio Garrastazu Médici e integrou a equipe ministerial de Geisel de 1977 a 1979. Conforme o Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil da Fundação Getulio Vargas (FGV), sua prioridade no ministério era elevar as exportações de produtos manufaturados e agropecuários diante do aumento do preço do petróleo.

Depois de deixar a pasta, assumiu a presidência do Banco Econômico, em 1979. Dez anos depois, o Banco Central apresentou um relatório que classificou sua gestão como temerária. A fiscalização havia identificado investigações sobre empréstimos irregulares para empresas ligadas a diretores da instituição. No ano seguinte, recomendou uma intervenção, mas a medida foi arquivada pela diretoria do órgão.

Em abril de 1992, Calmon de Sá deixou a presidência do banco para assumir o Ministério do Desenvolvimento Regional no governo Fernando Collor. Segundo registros da FGV, durante o período ele obteve no Banco Econômico um empréstimo de US$ 600 mil para o grupo empresarial da família Collor de Melo. O acervo também registra a distribuição de verbas a parlamentares das regiões Norte e Nordeste, considerada uma tentativa de obter apoio contra a abertura do processo de impeachment.

Calmon de Sá foi exonerado por Itamar Franco em outubro do mesmo ano e voltou ao Banco Econômico. Na instituição, autorizou empréstimos a empresas sem garantias adequadas, entre elas o grupo de engenharia Concic. Após o Plano Real, em 1994, o banco deixou de registrar lucros, passou a apresentar patrimônio negativo e teve balanços supostamente maquiados.

Intervenção e condenação

O Banco Central interveio no Econômico em agosto de 1995, bloqueando bens e contas de Calmon de Sá. Na ocasião, veio à tona o caso conhecido como “pasta rosa”. De acordo com os registros, o banco destinou US$ 2,4 milhões a candidaturas nas eleições de 1990. Como a legislação proibia doações de pessoas jurídicas, os valores teriam sido registrados como pagamentos por serviços fictícios. A Polícia Federal classificou a prática como crime tributário.

No ano seguinte, o Banco Central decretou a liquidação do Econômico. O processo atingiu 900 mil clientes, levou ao fechamento de 276 agências e resultou na demissão de 9.500 funcionários. No início de setembro, os correntistas puderam retirar até R$ 5.000 das contas.

Em 3 de outubro de 2007, mais de 12 anos depois da intervenção, Calmon de Sá foi condenado pela Justiça Federal a 13 anos e 4 meses de prisão em regime fechado. Na sentença, o juiz o apontou como principal estrategista das irregularidades: “Promotor e mandante dos fatos da denúncia, além de destinatário dos recursos ilicitamente captados no exterior e desviados para o banco, em última análise, em seu próprio benefício”.

Não há registros de que ele tenha cumprido a pena. A defesa apresentou recursos e pedidos de habeas corpus, alegando prescrição e idade avançada. Os espólios do Banco Econômico foram comprados pelo BTG Pactual em 2022, e a instituição passou a se chamar BESA.

Texto produzido pela Redação Nexo Econômico com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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