Áudios e mensagens trocados por Larissa Morata com Thamires, irmã do policial militar Vinícius Costa Silva, registram que a técnica em enfermagem enfrentava sofrimento emocional antes de morrer. Nas conversas, ela relatou dificuldades no casamento, disse que se sentia criticada e mencionou pensamentos relacionados à morte.
Em uma das gravações, Larissa afirmou que tinha vontade de “se jogar do carro” ao reclamar da relação. Ela disse que cuidava da casa e do filho, Theo, mas que não recebia do marido a mesma atenção que oferecia quando ele sentia dores. Também relatou que queria participar de decisões do casal, como a escolha de um sofá, mas que Vinícius permanecia no celular.
Larissa contou ainda que era chamada de mimada e criticada por chorar ou por não suportar as situações. Em outro áudio, disse que gostaria de continuar com o relacionamento e pediu que Thamires conversasse com o policial para tentar mudar o comportamento dele. “Eu só queria que ele mudasse”, afirmou.
Segundo o relato de Larissa, Vinícius dizia que vivia uma fase de muita correria e que os dois estavam em momentos diferentes. Ela também mencionou uma discussão relacionada à farmácia do casal e disse que já havia pedido desculpas pelo episódio.
Mensagens sobre morte
Conversas anteriores também fazem referência à morte. Pelo Instagram, Larissa escreveu que queria morrer, que estava saturada e cansada de tentar fazer o melhor. Em mensagens pelo WhatsApp, mencionou a possibilidade de cortar os pulsos e pular na piscina.
Ela também relatou o uso de sertralina, medicamento antidepressivo. Em um áudio de 9 de julho, associou seu estado emocional à situação do casamento e disse que ficava mais disposta quando estava bem com Vinícius.
Investigação
Vinícius nega ter matado a esposa e afirma que ela tirou a própria vida. A defesa entregou à polícia os áudios e as mensagens como elementos sobre o estado emocional de Larissa e sobre a hipótese de suicídio.
A polícia, porém, descartou essa hipótese após os primeiros exames periciais. O tiro atingiu a região acima da orelha esquerda e atrás da cabeça, e o trajeto indicou que o disparo ocorreu por trás. Como Larissa era destra, os investigadores consideraram improvável que ela tivesse feito o disparo.
O caso é tratado como morte suspeita e ainda depende da conclusão dos exames periciais. A irmã de Vinícius estava na casa do casal no domingo (6), quando Larissa morreu. O policial foi preso temporariamente nesta segunda-feira (7), sob suspeita do crime.
Familiares de Larissa afirmam que Vinícius tinha comportamento possessivo. Ele nega o crime, enquanto a investigação apura as circunstâncias da morte.



