SÃO PAULO — Anunciado pelo governo paulista para combater roubos e furtos, o Batalhão de Resposta Avançada Operacional (Bravo) funciona sem efetivo próprio, comandante fixo, sede formal ou decreto específico que regulamente sua atuação. A unidade reúne policiais de diferentes tropas da Polícia Militar e atua principalmente com duplas em motocicletas, algumas equipadas com fuzis.
A operação foi divulgada a menos de duas semanas das eleições, quando o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) buscará um novo mandato. O Bravo trabalhou até esta quinta-feira (1º), fará uma pausa durante o fim de semana do pleito e retornará na segunda-feira (5).
Como a unidade funciona
O grupo é formado por 250 agentes, 150 motos e viaturas de apoio. Participam policiais do 2º Batalhão de Choque, do 7º Baep (Batalhão de Ações Especiais de Polícia), do policiamento de trânsito e das Rocams dos bairros, além de agentes de outros batalhões especializados e territoriais.
A 1ª companhia reúne motos do policiamento de trânsito e do 2º Choque. A 2ª é composta por policiais motociclistas do 7º Baep, no centro da capital. A 3ª conta com agentes das Rocams dos bairros. O uso de fuzis e o acesso a áreas com indicadores criminais mais altos ficam sob responsabilidade do 2º Choque e do Baep.
O coronel Alexandre Vilariço, comandante da Coordenadoria Operacional da PM, afirmou que o Bravo é uma unidade modular e que não precisa de decreto para funcionar. O comando varia conforme o bairro de atuação e fica sob responsabilidade do comandante territorial, que conhece a área.
Segundo o governo, o foco é conter roubos e furtos de celulares e alianças, prática que se espalhou do centro para outras regiões de São Paulo. A PM afirma que os policiais também podem atender outras ocorrências, como roubos a farmácias e acidentes de trânsito.
Avaliações sobre a estrutura
O pesquisador em segurança pública Adilson Paes Souza, tenente-coronel aposentado da PM paulista, considera positiva a presença de dois policiais em uma mesma moto, mas defende que a unidade tenha efetivo próprio. Ele questiona o uso de fuzis nesse tipo de patrulhamento por causa do risco para policiais e transeuntes.
O coronel reformado José Vicente da Silva Filho, membro do Instituto Brasileiro de Segurança Pública, classificou o Bravo como uma estrutura improvisada. Para ele, a reunião de policiais de outros batalhões reduz o efetivo disponível para o patrulhamento dessas unidades.
Vilariço negou que a implementação tenha intenção eleitoral. Também rejeitou a avaliação de que o uso de fuzis aumente o risco para a população e afirmou que o armamento é utilizado pela polícia há muitos anos.
Resultados informados pela SSP
Conforme a Secretaria da Segurança Pública (SSP), o balanço da primeira semana registra a prisão de 34 pessoas, das quais oito eram foragidas da Justiça. Desde o início da operação, no dia 22 de setembro, foram recuperados três veículos roubados ou furtados.
As ações também resultaram na apreensão de cinco celulares, mais de 1 quilo de drogas e R$ 5,2 mil em dinheiro.


