SÃO PAULO — O pagamento de passagens com cartões de débito e crédito por aproximação cresce nos ônibus da cidade de São Paulo, mas ainda representa uma parcela pequena dos embarques. Entre janeiro e julho de 2026, foram registradas mais de 2,2 milhões de tarifas pagas dessa forma, mais que o dobro das 982 mil transações realizadas em todo o ano passado.
A tecnologia começou a ser testada em 2019. Além do cartão físico, os passageiros podem usar celulares e relógios inteligentes com tecnologia NFC, que permite a comunicação sem fio entre o dispositivo e o validador instalado no ônibus.
Também existem opções por QR Code, com o aplicativo SP Pass, e por Bluetooth, por meio do Cittamobi. Somados, os três métodos alternativos — cartão bancário, QR Code e Bluetooth — ultrapassaram 2,3 milhões de transações nos sete primeiros meses de 2026. O volume equivale a 0,2% dos 1,1 bilhão de embarques pagos com Bilhete Único no período.
A Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana e Transporte e a SPTrans afirmam que não é possível informar quantas linhas aceitam cartões, porque os ônibus que oferecem a tecnologia podem operar em diferentes trajetos dentro do mesmo lote de uma concessionária. As três modalidades estão disponíveis em cerca de 2.500 veículos, diante de uma frota de aproximadamente 12 mil coletivos.
A SPTrans diz que adesivos na porta dianteira devem indicar as formas de pagamento aceitas. Passageiros, porém, relataram dificuldade para identificar o serviço. Uma alternativa é procurar, no validador próximo à catraca, as marcas das operadoras de cartão.
Leandro Francisco Nascimento, 40, passou a usar o cartão de débito depois de perder o Bilhete Único. “É mais fácil assim, não preciso perder tempo indo atrás do outro”, afirma. A produtora de eventos Maria Tereza Souza, 23, também recorreu ao cartão virtual do celular ao perceber, já dentro do ônibus, que havia deixado a carteira em casa.
Para o especialista em transporte público Horácio Figueira, os pagamentos alternativos são úteis principalmente para passageiros ocasionais, como turistas. Guilherme Nafalski, gerente de relações institucionais no Instituto Cordial, avalia que ampliar as formas de pagamento pode ajudar a trazer usuários de volta ao transporte público.
A gestão Ricardo Nunes afirma que os novos meios ainda estão em fase de testes e que a expansão será gradual, sem prazo informado. O pesquisador Rafael Calabria, do BRCidades, ressalta que o Bilhete Único também permite integração tarifária: nos ônibus, são até quatro viagens em um período de até três horas. Os pagamentos alternativos não oferecem essa integração com outros ônibus, metrô ou trem.
Expansão nos trilhos
O Metrô ampliou no mês passado a aceitação de débito, crédito e meios eletrônicos para todas as catracas das linhas 1-azul, 2-verde, 3-vermelha e 15-prata, sob administração da companhia estatal. Nas linhas 4-amarela e 5-lilás, administradas pela Motiva, a solução segue em testes e avaliações técnicas.
O pagamento também está disponível nas linhas do trem metropolitano, tanto públicas quanto privadas. Nos ônibus, o passageiro deve confirmar a aceitação antes do embarque. No caso do cartão, basta aproximar o meio físico ou virtual do leitor. No SP Pass, é preciso comprar a passagem no aplicativo e apresentar o QR Code. No Cittamobi, o usuário compra o bilhete, ativa o Bluetooth e aproxima o celular do equipamento instalado no veículo.



