O primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, anunciou nesta segunda-feira (5) a dissolução do Parlamento e convocou eleições para 29 de novembro. A decisão ocorreu depois de um fim de semana de protestos por moradia que levaram dezenas de milhares de pessoas às ruas do país.
Sánchez busca renovar sua base de apoio e superar a oposição no Congresso, que derrubou dois decretos de seu governo sobre habitação na semana passada. O Partido Socialista governa em minoria, e pesquisas de opinião indicam o enfraquecimento do bloco de esquerda após escândalos relacionados ao primeiro-ministro e à condução da crise imigratória em Ceuta.
“Precisamos renovar o apoio da população”, afirmou Sánchez em discurso. O premiê disse que pretende conquistar uma maioria progressista maior no Parlamento para avançar em medidas sociais e manter a Espanha como “um bastião da abertura, da justiça social e da responsabilidade ambiental”.
Entre as propostas apresentadas pelo governo para responder aos protestos estavam a proibição, até 2030, de despejos de inquilinos vulneráveis; a extensão, por dois anos, do congelamento do aluguel para contratos em vigor; e regras mais rígidas para locações de curto prazo.
Protestos e crise habitacional
A crise ganhou projeção internacional após o despejo de uma idosa de 87 anos. Na quarta-feira (23), imagens da polícia retirando Maricarmen Abascal de maca do apartamento onde ela viveu por sete décadas circularam pelo mundo e impulsionaram o movimento.
Um acampamento na Puerta del Sol, em Madri, tornou-se um dos símbolos dos protestos. A ocupação começou no sábado (26), há pouco mais de uma semana, e, segundo o Sindicato dos Inquilinos, um dos organizadores, já havia mais de 1.200 tendas registradas no local.
Os manifestantes afirmaram que permaneceriam na praça até a aprovação dos chamados “decretos Maricarmen”. A oposição, porém, avaliou que o pacote não resolveria o problema e poderia restringir o mercado imobiliário espanhol.
Alberto Núñez Feijóo, do Partido Popular e principal nome da oposição, disse que as eleições permitirão ao país “fechar esse capítulo e abrir outro melhor”. A convocação é uma aposta de risco para Sánchez, que tenta fortalecer o Partido Socialista em meio à insatisfação popular e à pressão sobre seu governo.



