MADRI — O Parlamento da Espanha rejeitou nesta sexta-feira (2) dois projetos do governo para alterar as regras do aluguel de imóveis. As propostas foram apresentadas em meio a protestos provocados pelo despejo de uma mulher de 87 anos que não conseguia mais pagar o aluguel do apartamento onde morava em Madri.
As medidas impediriam despejos de inquilinos em situação de vulnerabilidade até 2030. Também previam o congelamento dos preços dos aluguéis e regras mais rígidas para contratos de curta temporada. A oposição afirmou que os decretos aumentariam a incerteza no mercado e dificultariam a busca por imóveis.
O primeiro-ministro Pedro Sánchez foi ao Congresso de surpresa, em uma última tentativa de obter apoio aos projetos. O Partido Socialista, legenda do chefe de governo, não tem maioria no Congresso e depende de outras siglas para governar. Após a derrota, integrantes do próprio partido sugeriram que Sánchez convoque eleições antecipadas.
Do lado de fora, milhares de pessoas participaram de manifestações em diferentes partes da Espanha. A mobilização ganhou força depois que Maricarmen Abáscal foi despejada na semana passada. Ela vivia havia mais de 70 anos no imóvel em Madri. A pressão dos manifestantes levou o fundo de investimento que comprou o apartamento a permitir o retorno da idosa para casa.
Um manifestante afirmou que morar em cidades como Madri e Barcelona se tornou mais difícil. “Hoje, são 1,5 mil ou 1,6 mil euros no mínimo”, disse, ao comparar os valores atuais com os aluguéis de mil ou 1,1 mil euros de um ano atrás.
A crise habitacional também atinge outros países europeus. Em uma década, o preço das casas na Europa aumentou mais de 60%, enquanto os aluguéis subiram mais de 20%. Em Portugal, o Parlamento aprovou em primeira discussão uma reforma que facilita despejos e elimina restrições ao valor dos novos contratos.



