ITAPETININGA — As mudanças climáticas têm alterado os padrões de chuva e dificultado previsões baseadas em dados históricos. A primavera de 2026, iniciada em 22 de setembro, sofre influência do El Niño, fenômeno associado ao aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial.
O engenheiro ambiental Vinicius Mori Valio, de Itapetininga (SP), mestre em Hidráulica e Saneamento pela Universidade de São Paulo (USP), afirma que as séries históricas usadas nos estudos climáticos já não representam integralmente os cenários atuais. “Tudo o que tínhamos de experiência dos dados antigos não vale mais, porque os cenários mostram um clima cada vez mais descontrolado e diferente daquilo que a gente estava acostumado”, disse.
A tenente Ludmyla Alcântara, da Defesa Civil estadual, prevê instabilidade e oscilação nas temperaturas durante a estação. Segundo ela, o período deve combinar calor, ondas de calor, frentes frias, chuvas acumuladas, tempestades e rajadas de vento. “E ficaremos assim até o final da estação”, afirmou.
Cheia em Itapetininga
Os efeitos da instabilidade foram observados em Itapetininga após o transbordamento do Rio Itapetininga em 20 de setembro. A água entrou em casas, ranchos e fazendas e atingiu mais de 370 famílias. O nível do rio chegou a oito metros.
A Prefeitura de Itapetininga informou que o nível estava baixando gradativamente. A última medição citada pela administração apontou 4,22 metros. Das 15 áreas afetadas, nove foram liberadas depois que a água retornou à calha do rio. Outras seis permaneciam inundadas, sem possibilidade de retorno naquele momento.
A energia elétrica já havia sido religada nas áreas liberadas, enquanto a Defesa Civil do Estado enviava ajuda humanitária às famílias atingidas. A Defesa Civil Municipal mantinha o monitoramento das áreas afetadas. Em emergências, os moradores deveriam acionar a Defesa Civil pelo 199, a Guarda Municipal pelo 153 ou o Corpo de Bombeiros pelo 193.
Como o fenômeno atua
O El Niño altera a circulação da atmosfera e modifica padrões de chuva, temperatura e vento em diferentes regiões do planeta. Embora ocorra no Pacífico, seus efeitos podem alcançar o Brasil, a Ásia, a África e a América do Norte.
Em condições normais, os ventos alísios empurram águas quentes para a Indonésia e a Austrália, favorecendo águas mais frias perto da costa da América do Sul. Durante o El Niño, esses ventos enfraquecem, e as águas quentes se deslocam para o Pacífico Central e Leste, provocando mudanças atmosféricas.
Para Vinicius, uma forma de enfrentar esse cenário é reorganizar os espaços urbanos, com mudanças no escoamento da água, criação de áreas de infiltração e redução das áreas de escoamento superficial.



