BAURU — A influenciadora e fisiculturista Bianca Garça passou por um processo de emagrecimento que durou 9 anos e transformou a relação com a saúde e o esporte. O ponto de partida foi quando ela vestia o tamanho 50, pesava 112 quilos e estava em pré-diabetes.
Na época, Bianca também tinha manchas escuras no pescoço e embaixo dos seios. Com mudanças na rotina, dieta e exercícios físicos, eliminou inicialmente 34 kg. “Não foi da noite para o dia. Foi um processo que exigiu dedicação, constância e muitas mudanças na minha rotina”, afirmou.
Da perda de peso às competições
Em março de 2023, Bianca começou a praticar fisiculturismo com o objetivo de emagrecer e modificar os hábitos. O esporte, porém, tornou-se um novo desafio. Em 2024, ela disputou o primeiro campeonato na categoria Wellness e chegou aos 57 kg para subir ao palco.
Depois da competição, enfrentou um efeito rebote e ganhou 27 quilos em menos de 2 meses, passando de 57 kg para 85 kg. Segundo a atleta, o período envolveu mudanças físicas, dificuldades emocionais e a falta de uma estratégia para o pós-competição.
Bianca ficou fora das competições durante 2025. No retorno aos palcos, conquistou o título de Campeã Overall Figure. Para ela, o resultado representou o que precisou enfrentar ao longo do processo.
A fisiculturista afirma que decidiu compartilhar a própria trajetória para inspirar mulheres que enfrentam dificuldades com o peso. Ela diz que a história não foi contada como um processo perfeito, mas como um relato marcado por recomeços e imperfeições.
Saúde e qualidade de vida
Entre as mudanças percebidas após o emagrecimento, Bianca cita melhora na qualidade de vida, na saúde e na autoestima. Subir escadas sem ficar ofegante, correr e se exercitar deixaram de ser obstáculos. Ela também afirma que passou a escolher as roupas que deseja usar, algo que não conseguia fazer quando pesava 112 kg.
A influenciadora relata ainda ter ouvido comentários de familiares e pessoas próximas sobre seu peso. Para ela, brincadeiras consideradas inofensivas podem afetar a autoestima de quem vive com obesidade.
Dados do Ministério da Saúde indicam que o índice de obesidade no Brasil subiu 118% entre 2006 e 2024. O doutor Thiago Viana aponta como sinais de alerta alterações nos níveis de glicemia, triglicérides e pressão arterial, além de cansaço excessivo, piora do sono, ronco e redução da capacidade física.
O médico afirma que a obesidade não deve ser analisada apenas pelo aspecto estético. Entre os fatores associados ao aumento do risco estão o consumo frequente de ultraprocessados e açúcar, o sedentarismo, poucas horas de sono e o consumo excessivo de álcool. Genética, fatores psicológicos, medicamentos e algumas doenças também podem contribuir.
Obesidade infantil
A Organização Mundial da Saúde publicou uma diretriz sobre o tratamento da obesidade infantil que prevê, em casos específicos e mais graves, o uso de medicamentos, como as chamadas canetas emagrecedoras, e a realização de cirurgia bariátrica para crianças a partir dos 10 anos.
Segundo a organização, o número de crianças com obesidade quadruplicou nos últimos 36 anos no mundo. Dados do Sistema Único de Saúde mostram que uma em cada três crianças e adolescentes entre 10 e 19 anos apresenta sobrepeso. Em 2025, o índice ultrapassou 6 milhões de pessoas na faixa etária de 0 a 19 anos.
Thiago Viana ressalta que as canetas não funcionam de forma isolada. O tratamento, segundo ele, deve ser acompanhado de alimentação adequada, exercício físico, preservação de massa muscular, sono e mudança de estilo de vida.



