O tratamento da obesidade com canetas emagrecedoras deve ser definido caso a caso e acompanhado por profissionais de saúde, afirmou o endocrinologista e professor da Universidade Federal do Piauí (UFPI), Wallace Miranda. Segundo ele, os medicamentos não substituem mudanças no estilo de vida e não são indicados para todas as pessoas com obesidade.
As canetas foram desenvolvidas inicialmente para o tratamento da obesidade e do diabetes. Quando utilizadas sem orientação profissional, podem provocar náuseas, vômitos, diarreia, constipação e desidratação. Também podem ocorrer insuficiência renal associada à desidratação e pancreatite, de acordo com Miranda.
"Cada caso precisa ser individualizado", afirmou o endocrinologista. Ele também ressaltou que a obesidade é uma doença crônica e exige acompanhamento contínuo, com estratégias que possam ser mantidas ao longo da vida.
Mudanças na rotina
A consultora comercial Joyce Cardoso, de 31 anos, procurou tratamento medicamentoso depois de tentar emagrecer várias vezes sem obter resultados duradouros. Ela relatou que chegou a 97 kg e decidiu buscar ajuda ao perceber impactos do excesso de peso sobre a autoestima e a qualidade de vida.
Desde o início do acompanhamento, Joyce afirma ter perdido 18 quilos. Ela diz que a medicação foi apenas uma parte do processo, que incluiu mudanças na alimentação, atividade física regular e acompanhamento com nutricionista, psicólogo, educador físico e gastroenterologista.
Para Miranda, as canetas devem atuar em conjunto com a modificação dos hábitos. A recomendação é adotar uma alimentação saudável que possa ser mantida por toda a vida, sem dietas muito restritivas, além de praticar atividade física de forma contínua. A medicação pode ser necessária em alguns casos.
Críticas ao tratamento
Joyce também contou ter recebido críticas de pessoas que consideravam o uso da medicação uma forma fácil de emagrecer ou questionavam seus riscos. Ela afirmou que a experiência foi diferente e que exames que apresentavam alterações melhoraram.
A indicação dos medicamentos depende das características e das necessidades de cada paciente. Além das canetas, existem outras alternativas terapêuticas para o tratamento da obesidade, segundo o endocrinologista. O Dia Nacional de Prevenção da Obesidade, celebrado neste domingo (11), reforça a importância da conscientização e da adoção de hábitos saudáveis.



