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Federação do Rio cobra controle médico maior em corridas após morte em Niterói

Entidade defende fiscalização de ambulâncias e protocolos mais rígidos; treinadores sugerem índice para provas acima de 15 quilômetros.

Federação do Rio cobra controle médico maior em corridas após morte em Niterói
Foto: Reprodução/redes sociais

A Federação Estadual de Atletismo do Rio de Janeiro defende regras mais rígidas para corridas de rua após a morte do empresário Jair Vieira Junior, de 53 anos, na 5ª Maratona de Niterói, realizada em 27 de setembro. Ele completou os 42 quilômetros, recebeu a medalha e passou mal em seguida. Foi levado ao Hospital Municipal Carlos Tortelly, no Centro de Niterói, mas não resistiu.

O presidente da federação, Robson Maia, afirmou que a entidade pretende ampliar a fiscalização sobre os recursos disponíveis nas ambulâncias e estabelecer protocolos médicos mais precisos para as provas. Há uma discussão entre federações, a Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt) e a Associação Brasileira dos Organizadores de Corrida de Rua e Esportes Outdoor (Abraceo) sobre o atendimento durante os eventos.

Índice e preparo dos corredores

Treinadores defendem que provas com mais de 15 quilômetros exijam um índice dos participantes. Wallace Barbosa, professor de educação física e treinador, afirmou que esse requisito funcionaria como um filtro, embora não elimine a possibilidade de mal-estar entre atletas preparados.

André Guilherme também apoia a exigência para provas de longas distâncias e diz que os participantes precisam conhecer seus limites e contar com treinamento adequado. Luana Cabral, professora de educação física e corredora, relatou que vê pessoas passando mal com frequência durante as corridas e afirmou ter aumentado os cuidados com a própria saúde.

Permit e estrutura do evento

A federação supervisiona eventos quando os organizadores solicitam o permit, atividade regulada pela Norma 7 da CBAt. O documento assegura, entre outros pontos, a medição do percurso, a localização dos postos de hidratação, a disponibilidade de ambulâncias e equipes médicas e paramédicas proporcionalmente ao número de atletas e a presença de banheiros químicos.

Segundo Maia, a 5ª Maratona de Niterói tinha o permit. Ele disse ainda não ter recebido o relatório produzido após a prova e, por isso, não apontou possíveis falhas na organização. Participantes relataram demora em atendimentos médicos de menor gravidade.

Karen Casalini, diretora da 3A Eventos, responsável pela corrida, afirmou que o evento tinha oito ambulâncias pelo percurso, autorização do Corpo de Bombeiros, permit e seguros contra acidente. Ela disse que o empresário recebeu atendimento imediato e que a empresa apoiou a família.

“Uma coisa que eu venho percebendo é a falta de conscientização”, afirmou Karen, ao mencionar a participação de atletas despreparados e o aumento dos atendimentos médicos durante a maratona. A organização lamentou a morte nas redes sociais.

Corridas sem chancela

Maia estima que cerca de 80% das corridas realizadas na capital não solicitem o permit da federação nem da confederação. Ele ressaltou que o percentual não é oficial, porque, segundo ele, a Secretaria Municipal de Esporte e Lazer (SMEL) não fornece os dados à entidade.

O presidente afirmou que a federação monitora eventos, inclusive pelas redes sociais, e pode fazer notificações extrajudiciais quando identifica irregularidades. Também disse que a entidade não tem poder de polícia para impedir uma corrida sem conformidade com as exigências.

De acordo com a prefeitura, em 2025 a cidade recebeu 195 corridas de rua, com previsão de 239 em 2026. O município informou que realiza reuniões semanais com organizadores, CET-Rio, Bombeiros e Guarda Municipal para tratar da operação das provas.

A prefeitura explicou que o permit é uma chancela da federação para oficializar a prova e homologar os tempos. Maia afirmou que a retirada da obrigatoriedade do documento deixou de existir como mecanismo legal para impedir inscrições em eventos sem a chancela da entidade. Para ele, uma mudança dependeria de proposta legislativa e, atualmente, a decisão fica com o participante ou o treinador.

O presidente também criticou a pouca participação da autoridade esportiva nas autorizações, que envolvem órgãos como Comlurb, Iphan, Exército, CET-Rio, Corpo de Bombeiros e Polícia Militar. Ele chamou atenção ainda para competições sem medição oficial e para alterações de trajeto em relação ao percurso registrado.

Texto produzido pela Redação Nexo Econômico com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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