SÃO PAULO — O material radioativo Actínio-225, roubado durante o transporte para o Hospital A.C.Camargo, em São Paulo, continua desaparecido. A carga seria usada no tratamento de um paciente com câncer de próstata. A van que levava o produto foi localizada pela polícia no sábado (3), mas nenhum suspeito foi identificado ou preso.
A Autoridade Nacional de Segurança Nuclear (ANSN) informou que o material oferece baixo risco de contaminação para pessoas próximas. Segundo a agência, a quantidade transportada não era perigosa na forma como estava acondicionada. A embalagem, porém, não deve ser aberta nem manipulada.
O produto foi importado dos Estados Unidos e retirado no Aeroporto Internacional de Guarulhos por uma empresa autorizada pela ANSN. O transporte seguia para o hospital quando ocorreu o roubo.
Como ocorreu o roubo
De acordo com o boletim de ocorrência, o motorista trafegava pela Rodovia Presidente Dutra quando, na altura da Vila Maria, foi abordado por ocupantes de outro veículo. Eles indicaram uma suposta pane na van. Após a parada, quatro pessoas armadas renderam o motorista: duas estavam em um carro e duas em uma moto.
O motorista relatou ter permanecido sob poder dos criminosos até o amanhecer, dentro de um Citroën C3 não identificado. Ele foi deixado perto da Avenida Marechal Tito, na Zona Leste de São Paulo, e recebeu auxílio de policiais militares.
A van, um Citroën Jumpy branco, transportava uma caixa de medicamentos de origem internacional avaliada em R$ 30 mil. O rastreador do material radioativo foi removido pelos criminosos.
A 1ª Divisão Especializada de Investigações Criminais (Deic), da Polícia Civil, encontrou o veículo abandonado em uma área de difícil acesso em Ferraz de Vasconcelos, na Grande São Paulo. A van estava tombada e parcialmente desmontada, e a carga não foi encontrada.
Após a localização, a ANSN foi acionada, e um físico nuclear responsável pela carga esteve no local. Por segurança, o veículo foi levado ao pátio Assis Ribeiro, onde permanecerá apreendido. A Polícia Civil requisitou perícia do Instituto de Criminalística (IC) e apoio do AFIS, Sistema Automatizado de Identificação de Impressões Digitais.
A orientação da ANSN é não tocar, abrir ou manipular a embalagem caso ela seja encontrada. A área deve ser isolada, e as autoridades precisam ser comunicadas imediatamente. A polícia investiga o roubo, procura o material e tenta prender os assaltantes.



