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Fundo de R$ 600 mil financia projetos por igualdade para meninas

Plan International Brasil abriu a segunda edição do fundo, com inscrições até 11 de novembro para iniciativas de todo o país.

Fundo de R$ 600 mil financia projetos por igualdade para meninas
Foto: Folhapress

A Plan International Brasil abriu a segunda edição do fundo Acelere o Relógio da Igualdade, que vai destinar R$ 600 mil a projetos de todo o país voltados ao combate às desigualdades de gênero. As inscrições podem ser feitas até 11 de novembro, na plataforma criada pela organização.

A iniciativa foi lançada no domingo (11), Dia Internacional da Menina. O fundo parte da projeção do Global Gender Gap Report 2026, do Fórum Econômico Mundial, de que seriam necessários 120 anos para alcançar a paridade global entre mulheres e homens caso o ritmo histórico de avanço seja mantido.

Flávio Debique, diretor de Programas e Advocacy da Plan Brasil, afirma que a falta de recursos impede que propostas de transformação sejam colocadas em prática. “Esse relógio só vai acelerar se a vontade e o desejo se transformarem também em orçamento”, disse.

Desigualdades enfrentadas pelas meninas

Segundo Debique, embora o Brasil tenha avançado em educação e saúde, meninas e mulheres ainda enfrentam obstáculos relacionados a oportunidades, autonomia e proteção contra a violência.

O Censo de 2022 registrou 34,2 mil crianças e adolescentes de 10 a 14 anos em união conjugal. A maioria era formada por meninas, e 69% delas eram pretas ou pardas, de acordo com o diretor. O Brasil tem um dos piores índices mundiais de casamento infantil.

O livro “Nem Cresci e Já Sou Mãe”, lançado em junho com apoio da Plan, reúne dados e relatos de jovens que tiveram filhos antes dos 19 anos. A obra é da jornalista Joyce Ribeiro. Dados do IBGE indicam que 7 em cada 10 mães adolescentes são negras, enquanto 6 em cada 10 não trabalham nem estudam.

Uma pesquisa citada no livro mostra que 60% das meninas deixam a escola depois de se tornarem mães. Entre os meninos que se tornam pais, o percentual é de 25%. Para Joyce, a gravidez na adolescência reflete vulnerabilidades sociais, raciais e de gênero, e não uma falha individual.

Em levantamento online realizado com o Instituto QualiBest em setembro de 2025, com 824 pessoas, 87% associaram a violência sexual à violência contra meninas. Para 43%, essa é a forma mais comum de violência contra elas no país.

Relatórios citados pela ONG também apontam que meninas dedicam mais tempo às tarefas domésticas do que meninos em todo o mundo. Um estudo acompanha desde 2007 um grupo de meninas em nove países, incluindo o Brasil. O mesmo material relaciona uniões precoces à gravidez na adolescência e ao aumento da carga de cuidado não remunerado.

Projetos apoiados

Na primeira edição, o fundo recebeu 319 inscrições e selecionou 25 iniciativas em dez estados. Entre elas estava o coletivo MãeDalas, de Belém, que desenvolveu uma ação para adolescentes do Quilombo do Abacatal, em Ananindeua (PA).

Com o financiamento, o coletivo promoveu três ciclos de oficinas sobre educação sexual e direitos das meninas. Na primeira, em agosto de 2025, participantes de 10 a 18 anos desenharam um “relógio do tempo” para representar a divisão do dia entre escola, tarefas domésticas, lazer e descanso.

Marluce Araújo, fundadora do coletivo, afirmou que a atividade abriu discussões sobre a sobrecarga de cuidado e a desigualdade de gênero. Segundo ela, as mães também levaram as filhas às oficinas e disseram estar satisfeitas com o apoio.

A nova edição tem uma categoria para meninas e jovens mulheres que pretendem desenvolver ações em escolas, bairros e associações. Outra é destinada a coletivos, grêmios e movimentos, que não precisam ser formalizados. A terceira atende organizações da sociedade civil.

As propostas podem abordar prevenção ao casamento infantil, educação para a igualdade e violência de gênero. Após a conferência dos documentos, as próprias candidatas avaliam os projetos concorrentes e não podem votar na própria proposta. Em caso de empate, será considerada a participação de grupos historicamente excluídos.

Texto produzido pela Redação Nexo Econômico com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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