Pesquisas realizadas em diferentes países identificaram microplásticos em ambientes internos, como casas, escolas e carros. Em uma análise feita na Holanda, 75% das 105 residências avaliadas tinham cinco ou mais tipos dessas partículas. Os plásticos PET e PS, ou poliestireno, apareceram em quase todas as amostras.
Décio Semensatto, professor do departamento de Ciências Ambientais da Universidade Federal de São Paulo, afirma que os materiais podem chegar às casas por tecidos sintéticos, produtos de higiene e itens de beleza que contêm microplásticos. Também podem entrar pela troca de ar com o ambiente externo.
O desgaste provocado pelo uso de roupas e pelo atrito entre tecidos libera fibras. Quando o imóvel permanece fechado e sem circulação de ar, as partículas se acumulam como poeira. Com a movimentação no ambiente, podem voltar a ficar suspensas.
Uma pesquisa feita em Wenzhou, na China, apontou que a concentração de microplásticos suspensos em ambientes internos era oito vezes maior que a registrada em locais externos. A comparação considerou áreas urbanas e rurais. Em geral, a menor circulação de ar dentro dos imóveis favorece o acúmulo, mas a concentração também pode variar conforme a localização da residência e os hábitos de consumo dos moradores.
Os microplásticos podem transportar outros poluentes, entre eles os PFAS, sigla para perfluoroalquil e polifluoroalquil. Essas substâncias são conhecidas como produtos químicos eternos por terem difícil degradação.
No Brasil, uma pesquisa conduzida por Roberta Cerasi Urban e colegas da Universidade Federal de São Carlos analisou partículas em uma antiga escola entre 2021 e 2022. Além das roupas sintéticas, materiais escolares foram identificados como fontes de microplásticos. O estudo, publicado em 2023, registrou aumento da concentração durante a estação seca, associado à menor ventilação e ao uso de roupas de inverno.
Urban afirma que ainda existem poucos estudos brasileiros sobre a presença dessas partículas em ambientes internos, principalmente em residências. “Estudos locais deveriam ser incentivados”, disse a pesquisadora, destacando que os resultados podem variar conforme as regras de cada país e os hábitos de consumo.
Microplásticos são pedaços de plástico com medidas entre 1 micrômetro e 5 milímetros. Eles podem entrar no organismo por inalação, ingestão e contato com a pele. Quanto menores, mais estruturas do corpo conseguem alcançar. Uma pesquisa publicada na Plos One em 2025 encontrou partículas de até 10 micrômetros dentro de residências. Nos carros, a concentração era quatro vezes maior.
Para Maria Cristina Canela Gazotti, do laboratório de química da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro, ventilar os ambientes ajuda a renovar o ar e reduzir a concentração. A orientação deve considerar a localização da residência. “Se você estiver, por exemplo, na Avenida Paulista, melhor não abrir a janela mesmo”, afirmou. Como alternativa, ela citou a troca de ar à noite e em dias de menor movimento de carros.
A pesquisadora também recomenda o uso de aspirador de pó. Modelos com filtro HEPA conseguem reter partículas menores e precisam ser limpos com frequência. Objetos plásticos amarelados ou esfarelando devem ser encaminhados para reciclagem, pois esses sinais indicam deterioração.



