A sífilis alcançou 6.847 pessoas nos 54 municípios atendidos pela Superintendência Regional de Saúde (SRS) de Montes Claros entre 2021 e setembro deste ano. Jovens de 20 a 29 anos, gestantes e recém-nascidos estão entre os grupos mais atingidos pela doença.
Do total, 4.028 registros foram associados a relações sexuais sem preservativo. A transmissão sexual é a principal forma de ocorrência identificada nos dados da SRS. A doença pode ser prevenida e tem tratamento disponível.
Entre as gestantes, 1.937 receberam diagnóstico no período analisado. Em 882 situações, houve transmissão para os bebês, o que pode ocorrer quando a infecção não é detectada ou tratada de maneira adequada durante o pré-natal.
Entre 2021 e 2026, nove recém-nascidos morreram em decorrência da sífilis. Montes Claros concentrou sete desses óbitos; Janaúba registrou um e Taiobeiras, outro.
A campanha Outubro Verde mobilizou ações de conscientização sobre a doença. Para Adriana Barbosa Amaral, referência técnica da Coordenação de Vigilância em Saúde da SRS de Montes Claros, os municípios precisam ampliar a prevenção, a testagem e o tratamento, com atenção especial à população de 20 a 29 anos.
“As ações de conscientização da população quanto à prevenção, diagnóstico e tratamento da sífilis é um desafio contínuo”, afirmou Adriana. Ela também defendeu a ampliação da oferta de testes rápidos nas Unidades Básicas de Saúde (UBS).
Diagnóstico durante a gestação
A SRS informou que 66% dos casos de sífilis em gestantes são identificados no pré-natal. Nessa etapa, o tratamento pode ser iniciado com tempo suficiente para reduzir o risco de transmissão ao bebê. Os outros 34% são diagnosticados durante ou depois do parto, e 54% dos tratamentos de recém-nascidos ocorrem de maneira inadequada.
Outro ponto destacado é o atendimento aos parceiros das gestantes diagnosticadas. Somente 45,39% deles recebem tratamento, situação que favorece a reinfecção das mulheres e mantém a cadeia de transmissão.
A recomendação aos municípios é reforçar os testes rápidos, sobretudo para jovens e gestantes, e ampliar as medidas preventivas nas unidades de saúde. A orientação inclui atenção ao primeiro trimestre da gravidez, chamado de “janela de ouro”, considerado decisivo para o diagnóstico precoce.
Agna Soares da Silva Menezes, coordenadora de Vigilância em Saúde da SRS de Montes Claros, afirmou que a sífilis é curável e pode ser evitada com o uso de preservativos em todas as relações sexuais. Ela também ressaltou a importância do acompanhamento das gestantes e dos parceiros durante o pré-natal.



