A Assessoria de Enfrentamento à Desinformação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) não encontrou no canal de WhatsApp “Exército do Lula” os conteúdos apresentados pela campanha de Flávio para pedir sua derrubada. O relatório foi divulgado nesta segunda-feira (12) e anexado à ação de investigação judicial eleitoral (AIJE).
O documento, assinado por Frederico Franco Alvim, afirma que não foram localizadas, entre as publicações do canal no período de 2 a 11 de outubro de 2026, reproduções das afirmações analisadas no processo. O relatório ressalva que conteúdos podem ter sido apagados.
A decisão de derrubar o canal havia sido tomada por Kassio depois que a campanha de Flávio encaminhou um pedido ao ministro, 40 minutos após o relator da ação, o corregedor-geral eleitoral Ricardo Cueva, solicitar mais esclarecimentos e documentos sobre a circulação do material.
Documentos apresentados
Antes disso, o jurídico de Flávio não havia anexado atas notariais, registros digitais ou outros documentos que mostrassem o conteúdo supostamente encontrado no canal. Na resposta enviada a Kassio, a campanha juntou uma página com uma lista de vídeos publicados por Janones no Instagram.
Alguns dos vídeos tratavam de temas já julgados e proibidos pelo TSE e haviam sido derrubados pela Meta. Os anexos, porém, não mostravam que aqueles conteúdos ou vídeos tinham sido publicados no canal de Janones no WhatsApp. Ainda assim, Kassio determinou a remoção.
No domingo (11), o ministro ordenou que a assessoria técnica do TSE investigasse o conteúdo do canal. A campanha de Flávio não apresentou posteriormente provas documentais da presença dos materiais no WhatsApp.
A advogada da campanha, Maria Claudia Bucchianneri, e a assessoria de imprensa do candidato não responderam aos pedidos de esclarecimentos até a conclusão do levantamento.
O canal de Janones chegou rapidamente a 3 milhões de usuários e foi apontado como uma aposta da campanha de Lula para mobilizar sua estrutura digital. Durante ato da esquerda na Paulista no domingo, Lula classificou a decisão de Kassio como “absurda” e disse estar “desconfiado do comportamento da corte eleitoral”. Ministros do TSE afirmaram, extraoficialmente, haver indícios de engajamento do magistrado na campanha de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República. Especialistas em direito eleitoral também questionaram a postura de Kassio.


