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Veto às bets interrompe estratégia do BTG para atender casas reguladas

Banco oferecia crédito e serviços a 14 empresas autorizadas, enquanto concorrentes evitaram o setor por riscos de compliance e reputação.

Veto às bets interrompe estratégia do BTG para atender casas reguladas
Foto: Rafaela Araújo/Folhapress

O veto do governo Luiz Inácio Lula da Silva às apostas online atingiu a estratégia do BTG Pactual para atender empresas do setor. O banco oferecia crédito, conta-corrente e outros serviços a 14 bets autorizadas pelo Ministério da Fazenda, enquanto instituições de grande porte preferiram não atuar nesse mercado.

Juntas, as empresas atendidas pelo BTG controlavam 70% das apostas online. O mercado movimentou R$ 57,1 bilhões de janeiro de 2025 a junho de 2026. A suspensão foi feita por medida provisória, que precisa ser validada pelo Congresso em até 120 dias. Até sexta-feira (25), quando o documento foi assinado pelo presidente, os cassinos online eram legais no Brasil.

O BTG afirmou que adotou medidas para cumprir a nova legislação e, por sigilo bancário, não comentou sua relação com clientes. O Genial disse que as bets eram uma atividade regulada e que atendia empresas do setor com práticas de prevenção à lavagem de dinheiro. “A atuação nesse setor não pressupõe ausência de risco nem flexibilização de controles”, afirmou o banco em nota.

O Banco Topázio também informou que atendia operadores autorizados pelo Ministério da Fazenda, seguindo seus processos internos de avaliação de risco. O PicPay, por sua vez, abriu o site de apostas Joga Junto.

Crédito e contas para as bets

O BTG entrou nesse segmento em 2024, depois que o Ministério da Fazenda publicou regras para depósitos, pagamentos e saques. A regulamentação efetiva chegou em 2025. As empresas precisavam manter uma conta de depósito em um banco e fazer um aporte de R$ 5 milhões como garantia aos apostadores em caso de bancarrota.

O banco foi o único grande grupo financeiro a desenvolver uma conta-bolsão própria para o setor, capaz de reunir milhares de contas individuais, uma para cada apostador. Desde 2025, fechou contratos com empresas como Betano, Bet365, SuperBet, SportingBet, Blaze e Betnacional.

Em abril de 2026, o BTG concedeu à Betano um empréstimo de 147 milhões de euros (R$ 874 milhões na cotação atual). O valor foi enviado à sede da Kaizen, em Atenas, por meio da filial do banco em Luxemburgo.

Documentos registrados em junho mostram uma dívida da Superbet com o BTG, sem valor detalhado. A garantia envolvia faturamentos futuros e avaliava a operação brasileira da empresa em R$ 1,1 bilhão. O banco também deu aval para garantias de aluguel de salas na Barra da Tijuca, no Rio.

Formulários entregues à Bolsa de Nova York indicam que o BTG financiou a compra de 56% da Betnacional pelo grupo Flutter por R$ 1,981 bilhão. Documentos apresentados pela Flutter ao Ministério da Fazenda também apontam o uso do banco para movimentar o dinheiro dos apostadores durante o jogo.

A Blaze mantém cinco contas-correntes no BTG e outra no Banco Topázio, de acordo com seu balanço financeiro. A SportingBet, controlada pela Entain, reportou lucro de R$ 310,7 milhões em 2025. Documentos também indicam uma relação do BTG com a Bet365, mas as transações não foram identificadas.

Bancos que ficaram fora

A maioria das instituições financeiras recusou atender bets por riscos associados a compliance, lavagem de dinheiro, verificação das empresas e incertezas regulatórias. Também pesaram a associação do setor à ludopatia, ao endividamento e a operações policiais.

Em 15 de junho de 2026, Marcos Sabiá, ex-CEO da GaleraBet, processou o Santander depois que o banco cancelou suas contas e as de familiares. Na ação, ele disse que o gerente apontou “movimentação incompatível com sua renda ou patrimônio”. O Santander afirmou que encerrou o vínculo por desinteresse comercial, com base em normas do Banco Central.

Após uma operação policial em 2024, o Itaú deixou o setor, e a Esportes da Sorte passou ao Banco Topázio. Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal disseram que já atenderam empresas de apostas, mas passaram a dispensá-las após mudanças em suas políticas. O Bradesco afirmou que aceita bets e aplica regras próprias para o segmento. O Ouribank informou que não oferece contas transacionais a empresas de apostas, mas realiza operações de câmbio relacionadas a aportes de capital estrangeiro e pagamentos de fornecedores no exterior.

Texto produzido pela Redação Nexo Econômico com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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