A diferença entre o preço do diesel nas refinarias da Petrobras e a cotação de importação chegou a R$ 3,08 por litro na abertura do mercado de terça-feira (8), segundo a Abicom. O valor ficou próximo do recorde de R$ 3,09 registrado no início de março, após os primeiros ataques de Estados Unidos e Israel ao Irã.
Na quarta-feira (9), a defasagem recuou para R$ 2,87 por litro nas refinarias da estatal. Mesmo com um subsídio de R$ 1,12 por litro, empresas e importadores teriam perda de R$ 1,75 em cada litro comprado no exterior. Na média nacional, a diferença era de R$ 2,77 por litro.
A pressão aumentou com a alta do petróleo Brent, que voltou a superar US$ 100 (R$ 510) por barril pela primeira vez em três meses. O movimento ocorreu após a retomada de ataques dos Estados Unidos e do Irã contra navios-petroleiros.
Em resposta, Luiz Inácio Lula da Silva assinou uma medida provisória que libera mais R$ 6,6 bilhões em subsídios aos combustíveis. Desse total, R$ 5,6 bilhões serão destinados ao diesel e pouco menos de R$ 1 bilhão, a outros combustíveis. A decisão mudou a orientação anterior do Ministério da Fazenda, que havia indicado uma retirada gradual dos subsídios.
Até o fim de agosto, os subsídios para diesel, gasolina e GLP, o gás de cozinha, haviam custado R$ 7,8 bilhões ao contribuinte, conforme os últimos dados disponibilizados pela ANP. O valor pode ser maior porque houve atraso na liberação dos recursos.
O diesel é o principal foco de preocupação porque o Brasil é deficitário no produto, cuja demanda aumenta com o transporte da safra de grãos no segundo semestre. O combustível também é apontado como o de maior risco de escassez global se os conflitos no Oriente Médio e na Ucrânia persistirem.
A Petrobras não altera o preço do diesel em suas refinarias desde junho, quando reduziu o valor para compensar parte da retirada dos subsídios. Em nota, a empresa afirmou que "monitora diariamente os fundamentos do mercado internacional" e que busca não repassar a volatilidade externa aos preços internos.
O Goldman Sachs elevou em US$ 5 (R$ 26) por barril a projeção para o fim de 2026 e passou a considerar risco de petróleo a US$ 120 (R$ 612) no próximo ano caso a interrupção do Estreito de Hormuz continue. A hipótese de prolongamento do conflito até 2027 aumenta a pressão sobre a Petrobras e o governo antes da eleição presidencial.



