O dólar subia e o Ibovespa recuava nesta terça-feira (22), em meio à repercussão da ata do Comitê de Política Monetária (Copom) e de uma nova pesquisa Quaest. Às 12h38, a moeda americana avançava 0,11%, cotada a R$ 5,112. O principal índice da Bolsa brasileira caía 0,29%, aos 185.855 pontos.
Juros e atividade econômica
A ata manteve o tom cauteloso do comunicado divulgado na última quarta-feira (16). Na ocasião, o Copom reduziu, por unanimidade, a taxa Selic de 14% para 13,75% ao ano, no quinto corte consecutivo.
O documento apontou perda de força da atividade econômica em um cenário de juros altos e inflação em queda. Também indicou confiança no processo de desinflação, embora as expectativas de inflação permaneçam acima da meta perseguida pelo Banco Central.
Yihao Lin, economista da Genial Investimentos, afirmou que a ata veio em linha com o comunicado anterior. Para ele, o documento sinaliza uma possibilidade maior de continuidade dos cortes da Selic nas próximas reuniões. Lin disse que a manutenção da taxa em 13,75% até o fim do ano é o cenário-base da instituição e que o prosseguimento do ciclo dependerá do resultado das eleições e dos efeitos sobre o câmbio.
Caio Megale, economista-chefe da XP, afirmou que o Copom reiterou que a atividade ainda parte de um nível forte e que a inflação segue acima da meta. Segundo ele, os indicadores avançam na direção desejada pelo comitê, mantendo como cenário-base a continuidade dos ajustes na taxa de juros.
Pesquisa eleitoral e cenário externo
A pesquisa Quaest, divulgada após o fechamento do mercado na véspera (21), mostrou o presidente Lula (PT) com 37% das intenções de voto no primeiro turno, contra 33% do senador Flávio Bolsonaro (PL). Na rodada anterior, Lula tinha 36% e Flávio Bolsonaro, 31%.
Em uma simulação de segundo turno, Flávio Bolsonaro aparece com 42% e Lula, com 41%, em empate técnico. No levantamento anterior, o candidato do PL tinha 42%, enquanto o presidente registrava 40%.
O mercado também acompanha o petróleo e as tensões geopolíticas, fatores que influenciam as expectativas de inflação e juros. Na última segunda-feira, o barril voltou a ser negociado abaixo de US$ 100. Às 12h13, o Brent era cotado a US$ 99, com queda de 0,45%.
Marcel Lima, sócio da Valor Investimentos, relacionou o recuo à expectativa de um acordo entre Estados Unidos e Irã e à possível normalização do tráfego no estreito de Hormuz. A queda do petróleo reduz a pressão sobre os combustíveis e pode favorecer ativos de mercados emergentes, como o Brasil.
Donald Trump sinalizou abertura para um encontro com o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian. O Irã também indicou a mediadores disposição para retomar as negociações e possibilidade de reabrir o estreito de Hormuz nos próximos sete dias, caso os Estados Unidos reduzam a pressão militar.
Mercados internacionais
Em Wall Street, o Dow Jones caía 0,45% às 12h25, enquanto o S&P 500 estava estável e o Nasdaq subia 0,40%. No Brasil, os juros futuros avançavam: às 12h31, o contrato de DI para janeiro de 2028 estava em 13,575%, e o contrato para janeiro de 2035, em 14,060%.
Na agenda, o mercado acompanha os encontros da Assembleia Geral da ONU. Lula afirmou que o Brasil não cabe no quintal de ninguém. Trump e Xi Jinping também devem se reunir em Washington; o líder chinês chega aos Estados Unidos na quarta-feira (23), e o encontro está previsto para quinta-feira (24).
Na sexta-feira (25), será divulgado o IPCA-15 de setembro, considerado uma prévia do IPCA.
