O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu a soberania brasileira e criticou pressões externas durante o discurso de abertura da 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas, nesta terça-feira (22). Sem citar Donald Trump nominalmente, Lula tratou de temas ligados ao comércio, aos recursos naturais, à tecnologia e às eleições brasileiras.
Ao abordar os conflitos em andamento e a relação da América Latina com os Estados Unidos, o presidente afirmou que o Brasil não deve se submeter a nenhuma potência. A mensagem foi reforçada pela frase: “O Brasil não cabe no quintal de ninguém.”
Lula também falou sobre minerais críticos e terras raras, apresentados como recursos necessários à transição energética. Ele disse que as riquezas naturais brasileiras pertencem à população e que o acesso a esses recursos deve ocorrer em benefício do povo brasileiro.
Comércio, tecnologia e eleições
No trecho dedicado à tecnologia, o presidente afirmou que o governo não aceitará pressões de multinacionais para privatizar o Pix. Lula classificou o sistema como uma infraestrutura pública e gratuita de pagamentos, associada à inclusão financeira de milhões de brasileiros.
O comércio internacional foi outro tema do discurso. Lula criticou o uso de tarifas como instrumentos de coerção e chantagem e afirmou que os pilares do multilateralismo estão sendo enfraquecidos. Também mencionou a situação da Organização Mundial do Comércio.
Na parte final, o presidente falou sobre as eleições de outubro e sobre redes de desinformação que, segundo ele, podem interferir no debate da campanha. Ao defender a democracia brasileira, declarou: “A democracia brasileira pertence aos brasileiros.”
Lula ainda tratou de segurança pública e das ameaças de interferência dos Estados Unidos, que classificaram as facções PCC e CV como terroristas. O presidente disse que o Brasil não pretende terceirizar a defesa de suas fronteiras e a proteção da população.
Ele defendeu cooperação para interromper o fluxo de armas e dinheiro que abastece o crime e citou uma proposta entregue pessoalmente ao presidente dos Estados Unidos. Também afirmou que o país não precisa de porta-aviões vigiando suas águas.

