O senador Veneziano Vital do Rego (MDB-PB) destinou R$ 210 milhões em emendas para a ampliação da BR-230, na Paraíba. Parte dos serviços foi subcontratada a empresas ligadas a parentes e ex-sócios de dois assessores que trabalharam em seu gabinete.
A obra é dividida entre dois consórcios. Um atua em um trecho de Campina Grande (PB), e o outro, em Cabedelo (PB). Os consórcios contrataram a Selecta Construções e a Comtech, posteriormente substituída pela Com Infraestrutura e Mineração.
Recursos e contratos
Do total destinado por Veneziano no Orçamento de 2023, R$ 160 milhões foram indicados como emendas de relator e R$ 50 milhões vieram da Comissão de Infraestrutura do Senado em 2023.
A ampliação começou em 2017, mas foi suspensa no ano seguinte. A retomada ocorreu em 2023, em parte com os recursos enviados pelo senador. No mesmo ano, a Selecta foi contratada para alugar as máquinas usadas na obra. A empresa pertence a Romulo Pires Neto, cunhado de Rodrigo Neves.
Rodrigo trabalhou no gabinete de Veneziano até 2017. Seu irmão, Marcelo Neves, atua no gabinete do senador desde 2019. A Com Infraestrutura e Mineração pertence a Edenilton Coelho, ex-sócio de Rodrigo na Comtech, enquanto a Selecta pertence ao cunhado dele.
A Comtech apresentou uma proposta comercial a um dos consórcios em 3 de março de 2024. Naquele momento, a empresa se chamava Aqualimp Carcinicultura e tinha como atividade a criação de camarões e peixes. Em 8 de maio, passou a se chamar Comtech e alterou seu objeto para construção e sinalização de rodovias.
Rodrigo tornou-se sócio-administrador da Comtech em 20 de setembro de 2024 e permaneceu na empresa até junho de 2025. O contrato com o consórcio havia sido assinado por ele em 2 de setembro de 2024, antes de sua entrada formal na sociedade. A Comtech foi substituída pela Com Mineração, criada em 8 de outubro com o mesmo endereço e telefone. Em novembro de 2024, os funcionários que trabalhavam na obra foram transferidos para a nova empresa.
Fiscalização e respostas
A contratação das duas empresas aparece em processos trabalhistas contra um dos consórcios. Neles, o consórcio atribui à Comtech e à sua sucessora a responsabilidade por problemas nos canteiros e pelos trabalhos realizados no local.
A LCM Construção e Comércio, integrante do consórcio responsável pelo trecho de Campina Grande, afirmou que a contratação da Comtech foi precedida por análise de regularidade documental e capacidade operacional. A empresa também declarou que não houve interferência de agentes públicos nas contratações e que a execução do contrato gira em torno de R$ 550 milhões.
O Dnit na Paraíba fiscaliza a execução do contrato. O órgão informou que os serviços seguem em execução, sem interrupções. Desde 2023, foram realizados R$ 397 milhões em pagamentos, dos quais cerca de R$ 38,9 milhões vieram de emendas parlamentares.
O superintendente regional do Dnit é Arnaldo Monteiro, indicado por Veneziano em abril de 2023. Ele deixou o cargo para disputar a Prefeitura de Esperança (PB) pelo MDB em 2024 e foi substituído pelo irmão, Antonio Monteiro. Arnaldo perdeu a eleição e retornou ao posto em 2025.
Em nota, Veneziano disse que sua atuação se limitou à destinação das emendas. “O senador não participa de licitações, não escolhe empresas, não indica subcontratadas, não autoriza pagamentos e não interfere na fiscalização de contratos”, afirmou. Sobre Rodrigo Neves, declarou que vínculos profissionais anteriores com gabinetes parlamentares não representam participação, influência ou responsabilidade sobre atividades empresariais posteriores.



