BRASÍLIA — O governo dos Estados Unidos confirmou nesta quarta-feira (23) que o Brasil terá uma cota de 100 mil toneladas de açúcar bruto no próximo ano fiscal. O volume representa uma redução de 35,9% em relação ao período anterior.
A parcela de cerca de 56 mil toneladas retirada do Brasil foi redistribuída a outros países pelo USTR (Escritório do Representante Comercial dos EUA). A República Dominicana recebeu 11.931 toneladas, enquanto as Filipinas ficaram com 9.151 toneladas.
As novas cotas tarifárias começam a valer em outubro e terão duração de um ano. Em julho, o governo Donald Trump havia anunciado os valores para o ano fiscal de 2027, já com a previsão de redução de quase 56 mil toneladas na parcela brasileira. Em agosto, um funcionário de Washington havia condicionado a devolução do volume a “propostas comerciais satisfatórias”.
Tarifas sobre as exportações
Os Estados Unidos mantêm anualmente uma cota de importação de 1,1 milhão de toneladas de açúcar bruto de cana, vinculada a compromissos com a OMC (Organização Mundial do Comércio). O produto que entra dentro desse limite paga uma tarifa reduzida. Fora da cota, incide uma cobrança de aproximadamente US$ 340 por tonelada.
Além dessa tarifa, as exportações brasileiras que ficarem fora do limite estarão sujeitas a sobretaxas cumulativas de 37,5%, resultado de duas investigações comerciais do USTR. Para o açúcar dentro da cota, será aplicada uma tarifa adicional de 25% referente a uma das apurações.
O Brasil exportou 292,4 mil toneladas de açúcar bruto para os Estados Unidos no ano passado, segundo dados da Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia). A cota é preenchida por produtores do Nordeste. O volume que excede o limite é fornecido principalmente pelo Sudeste, onde a colheita é mais mecanizada.



