SÃO PAULO — A derrota de Fernando Haddad (PT) no primeiro turno da eleição para o Governo de São Paulo deixou em aberto o futuro político do ex-ministro da Fazenda. No mesmo domingo (4), Lula (PT) avançou para um segundo turno acirrado contra Flávio Bolsonaro (PL).
Haddad acompanhou a apuração em um hotel na avenida Paulista e evitou discutir explicitamente seus próximos passos com aliados. Durante a campanha, concentrou-se na tarefa atribuída por Lula: repetir a estratégia de 2022, quando o PT reforçou sua atuação em São Paulo para reduzir a vantagem de Jair Bolsonaro (PL) no estado em relação a 2018.
Tarcísio garantiu a reeleição no primeiro turno, conforme projeção do Datafolha, derrotando Haddad, apontado como seu principal adversário. Embora o petista tenha afirmado, ao lançar a pré-candidatura, que entraria na disputa para vencer, integrantes do PT consideravam a derrota o cenário mais provável. A gestão Tarcísio tinha avaliação positiva de 47% e liderava todos os cenários de pesquisas neste ano.
Possíveis caminhos
Até o início deste ano, Haddad resistia à candidatura por receio de sofrer a quarta derrota seguida nas urnas. Ele já havia perdido as eleições de 2016, para a Prefeitura de São Paulo; de 2018, para a Presidência da República; e de 2022, para o Governo de SP. A insistência de Lula, porém, fez o ex-ministro mudar de posição.
O destino de Haddad está ligado ao resultado de Lula. Se o presidente for derrotado, o ex-prefeito de São Paulo poderá retomar a carreira acadêmica e se dedicar à militância. Professor do Departamento de Ciência Política da USP desde 1997, ele é graduado em direito, tem mestrado em economia e doutorado em filosofia pela universidade.
Uma eventual vitória de Lula pode levar Haddad novamente ao governo federal. Petistas avaliam que ele poderá ser nomeado para a Casa Civil, função que almeja desde 2022, ou para o Ministério da Justiça. A definição dependerá da conjuntura política e deverá ocorrer nos dias seguintes ao segundo turno.
Haddad foi ministro da Educação sob Lula de 2005 a 2012 e comandou a Fazenda no último governo. Ele afirma a aliados que não gostaria de ocupar novamente uma pasta que já chefiou. Para integrantes do PT, uma nomeação para a Casa Civil poderia indicar que Lula trabalha para torná-lo seu sucessor na Presidência. Outros petistas, porém, avaliam que a escolha poderia criar dificuldades nas negociações com siglas de oposição. O espaço que Haddad terá no PT depois da eleição também será decisivo.


