Os Estados Unidos desistiram de interromper as exportações de combustíveis após países europeus concordarem em liberar diesel de seus estoques estratégicos. O compromisso foi anunciado na sexta-feira (2), durante uma reunião do G7 coordenada pela Agência Internacional de Energia (AIE).
Os líderes do grupo informaram que serão disponibilizados 100 milhões de barris de petróleo bruto e diesel, com início imediato e duração prevista de quatro meses. Um volume substancial das reservas de diesel deverá ser liberado nos primeiros 20 dias.
O acordo ocorre enquanto o presidente americano, Donald Trump, tenta conter a alta do diesel para a indústria e os agricultores dos Estados Unidos antes das eleições parlamentares de novembro. Republicanos de regiões agrícolas pressionavam pela proibição das exportações como forma de aliviar a situação dos produtores.
“Não vamos aplicar o embargo às exportações”, declarou Trump a jornalistas na sexta-feira (2). O presidente classificou como “algo ótimo” o compromisso europeu de liberar reservas de diesel.
A declaração conjunta do G7 também registra que os signatários, incluindo os Estados Unidos, devem evitar restrições à exportação de energia e de produtos energéticos entre os países do grupo. O documento pede ainda que os produtores não adotem proibições capazes de ampliar as tensões no mercado.
Volume e origem dos estoques
A intervenção levará em conta compromissos de um acordo anterior, firmado em março, para a retirada de 400 milhões de barris coordenada pela AIE. Desse total, 325 milhões de barris já haviam sido liberados, segundo a agência.
Pessoas familiarizadas com as negociações afirmaram que 40 milhões de barris sairão da Reserva Estratégica de Petróleo dos EUA. A Europa contribuirá com cerca de 50 milhões de barris de diesel, enquanto o restante virá da Ásia.
A Casa Branca havia exigido que a Europa liberasse pelo menos 100 milhões de barris e ameaçado retomar a proibição das exportações de diesel caso a exigência não fosse atendida. O presidente francês, Emmanuel Macron, disse que o G7 concordou em não restringir o intercâmbio de petróleo e produtos energéticos entre países parceiros.
Após o anúncio, os contratos futuros de diesel na Europa recuaram 8%, para US$ 1.337,75 a tonelada, o menor nível desde o início de setembro. Em Nova York, o diesel no atacado caiu quase 2%, para US$ 4,56 o galão.
Os líderes do G7 afirmaram que discutirão, nos próximos dias, novas liberações de diesel no âmbito da AIE, se necessário. Em março, a Europa havia se comprometido a liberar 73 milhões de barris de combustíveis refinados como parte do programa de 400 milhões de barris. Segundo Fatih Birol, chefe da AIE, os Estados Unidos concluíram em grande parte sua parcela, mas alguns países europeus ainda não cumpriram suas obrigações.



