WASHINGTON — Bill Gates afirmou neste domingo (11) que o uso de inteligência artificial sem mecanismos de proteção pode ampliar os ataques cibernéticos no próximo ano. Para o cofundador da Microsoft, a ameaça mais imediata não é a tecnologia sair do controle, mas a utilização de sistemas existentes por pessoas mal-intencionadas.
Em entrevista à ABC News, Gates disse que a área cibernética provavelmente será a mais afetada por esse avanço. Ele afirmou que modelos nos quais as salvaguardas podem ser removidas, combinados com a ação de agentes maliciosos, podem produzir “muitas surpresas negativas” ao longo do próximo ano.
O executivo também defendeu a criação de mais restrições para evitar o uso da inteligência artificial em bioterrorismo e ataques cibernéticos. Segundo Gates, atualmente é permitido retirar as proteções de alguns sistemas, o que aumenta o risco quando eles são utilizados por pessoas com intenções maliciosas.
Gates avaliou que a possibilidade de a inteligência artificial “sair do controle” ainda levaria anos para provocar um grande impacto. Ele afirmou que esse tema precisa ser enfrentado, mas colocou os ataques cibernéticos entre as preocupações mais urgentes.
O cofundador da Microsoft havia alertado, em uma publicação extensa em agosto, que o mundo estava perigosamente despreparado para as transformações provocadas pela inteligência artificial, especialmente no mercado de trabalho.
Na entrevista, Gates rejeitou a avaliação do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que a autorregulação das empresas de inteligência artificial seria suficiente para manter a segurança. Para Gates, deixar apenas as próprias companhias como mecanismo de controle não representa uma resposta adequada aos riscos da tecnologia.



