SÃO PAULO — O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta terça-feira (22), em discurso na Assembleia-Geral da ONU, que o Brasil não aceitará o modelo de negócios das plataformas de apostas, conhecidas como bets, nem o das big techs.
Lula disse que essas empresas conhecem os riscos dos próprios produtos e deixam para as famílias a tarefa de lidar com seus algoritmos. Sobre os sites de apostas, afirmou que o setor transforma o vício em lucro e que sua expansão tem causado endividamento e destruído milhões de lares.
A campanha do presidente exibiu na segunda-feira (21), no horário eleitoral e nas redes sociais, relatos de jogadores endividados. Lula colocou o combate às bets entre os principais temas de sua campanha à reeleição e defendeu o veto aos cassinos online, popularizados pelo nome de “jogo do tigrinho”.
Decisão sobre as medidas
O presidente deve definir as ações contra o setor depois do retorno da Assembleia-Geral. Uma reunião ministerial sobre o tema está prevista para ocorrer entre quarta-feira (23) e quinta-feira (24), conforme assessores.
A possibilidade em análise inclui restrições severas ou a proibição total das atividades dessas empresas. No discurso, Lula também criticou a atuação de empresas de tecnologia no desenvolvimento da inteligência artificial. “Não vamos ceder às pressões de multinacionais”, afirmou.
Ele disse que essas empresas promovem uma corrida tecnológica sem considerar a ONU e o painel científico sobre inteligência artificial. Também afirmou que o governo deve buscar uma remuneração justa para artistas e criadores de conteúdo audiovisual, tema incluído nas discussões sobre a regulação da inteligência artificial.



