São Paulo, Quarta-feira, 30 de setembro de 2026
Dólar R$ 5,22 · Euro R$ 5,92 · Ibovespa 183.828 -0,00%
A economia explicada todos os dias
Economia

Mensagens mostram pagamento do Master a consultoria ligada a irmão de funcionário do BC

Empresa de Leonardo Harris recebeu R$ 720 mil do banco em 2025; ele afirma que prestou serviços de consultoria em mineração.

Mensagens mostram pagamento do Master a consultoria ligada a irmão de funcionário do BC
Foto: Reuters

Mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro indicam que o Banco Master programou um pagamento de R$ 120 mil à LR Consultoria, empresa de Leonardo Eyer Harris, irmão de Ricardo Eyer Harris, chefe de gabinete de Gilneu Francisco Astolfi Vivan, diretor de regulação do sistema financeiro do Banco Central.

A indicação do pagamento aparece em uma lista enviada a Vorcaro em 6 de agosto de 2025 por Luiz Rennó, então assessor jurídico do Master. O documento reunia cinco nomes e valores que deveriam ser pagos pelo banco. A LR Consultoria foi incluída com o valor de R$ 120 mil.

Contrato e pagamentos

Aberta em março de 2024 com capital social de R$ 1 mil, a empresa recebeu R$ 720 mil do Master ao longo de 2025, conforme documento entregue pela Receita Federal à CPI do Crime Organizado.

Leonardo disse que a LR foi contratada por cerca de seis meses, entre março e setembro de 2025, para prestar consultoria sobre mineração. Segundo ele, o trabalho não tinha relação com a atuação do irmão no Banco Central. O parentesco não teria sido informado ao banco porque, na avaliação dele, não havia vínculo com o serviço contratado, embora Ricardo tenha sido avisado por precaução.

Ricardo afirmou que comunicou à alta administração do Banco Central a contratação do irmão. Ele também negou ter participado, direta ou indiretamente, de decisões relacionadas ao Master. O Banco Central não se manifestou.

Leonardo declarou que foi contratado por sua experiência em desenvolvimento de negócios no setor de mineração e que a consultoria envolvia análise estratégica de minerais e avaliação econômica de ativos minerários. Ele também disse que a LR prestou serviços, entre 2024 e 2025, a outra empresa do setor de bens de consumo, sem ligação com o grupo Master.

Investigação sobre o Banco Master

Dois funcionários do Banco Central são investigados no caso: o ex-diretor de fiscalização Paulo Sérgio Neves de Souza e o ex-chefe do departamento de supervisão bancária Belline Santana. Os dois foram afastados pelo presidente do órgão, Gabriel Galípolo.

A Polícia Federal identificou mensagens nas quais os executivos ajudariam Vorcaro em conversas com o Banco Central e transmitiriam informações sobre como evitar a fiscalização. Os investigadores também encontraram registros de pagamentos a Belline e Paulo Sérgio, incluindo despesas de viagens.

A mensagem com a lista foi trocada enquanto Vorcaro buscava a aprovação do Banco Central para a venda do Master ao BRB, o Banco de Brasília. Investigadores suspeitam que a operação buscava ocultar fraudes que teriam sido cometidas pelo banco e por ex-executivos do BRB. Em 3 de setembro, o Banco Central anunciou o veto à venda. O Master foi liquidado em 18 de novembro.

Dois dias depois do envio da lista, Rennó escreveu novamente a Vorcaro dizendo que faltava incluir a Consult entre os pagamentos essenciais. Ele também encaminhou o contato de Kevin Marques, filho do ministro do Supremo Tribunal Federal Kassio Nunes Marques. Kevin afirmou que não trabalhou para o Master nem recebeu dinheiro de Vorcaro. A assessoria informou que ele recebeu R$ 281 mil da Consult Inteligência Tributária por serviços jurídicos na área tributária administrativa.

Além da LR e da Consult, a lista mencionava a Lewandowski Advocacia, a Pollaris Consultoria e a Gustavo Loyola Consultoria. As três também receberam pagamentos do Banco Master. Os escritórios e empresas são ligados, respectivamente, à família de Ricardo Lewandowski, a Guido Mantega e a Gustavo Loyola.

Rennó afirmou não ter conhecimento sobre a LR Consultoria e disse: “na condição de assessor jurídico relativo a temas trabalhistas e societários, eu não detinha poderes para efetuar pagamentos e ou autorizá-los”. A defesa de Vorcaro não se manifestou.

Texto produzido pela Redação Nexo Econômico com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

Assine nossa newsletterAs principais notícias do dia no seu e-mail.