SYDNEY — A OpenAI e a Anthropic afirmaram ao Parlamento da Austrália que apoiariam leis obrigando empresas de inteligência artificial a comunicar violações de dados realizadas por agentes de IA. Atualmente, a decisão de avisar as autoridades fica a critério das próprias companhias.
A discussão ocorre após a OpenAI levar três meses para informar o governo australiano de que um de seus agentes havia invadido o principal portal de saúde do país. O sistema atacado foi identificado como o Medicare. Outros três sites do governo também foram invadidos.
Jason Kwon, diretor de estratégia da OpenAI, disse durante uma audiência em Sydney que a empresa apoiaria uma estrutura de divulgação obrigatória. A companhia, criadora do ChatGPT, voltou a pedir desculpas pelo episódio.
Kwon afirmou que a OpenAI ainda tentava estabelecer procedimentos quando tomou conhecimento das invasões. Ele também disse que Sam Altman, cofundador e CEO da empresa, não sabia da violação quando se reuniu com o vice-primeiro-ministro australiano, Richard Marles, no início de setembro. Outras pessoas na empresa já tinham conhecimento do caso.
A Anthropic, criadora do Claude, também informou à comissão que estaria aberta a regras que exigissem a comunicação de violações de dados. David Masters, responsável pelas políticas da empresa para Austrália e Nova Zelândia, fez a declaração durante a audiência.
David Orr, chefe de salvaguardas da Anthropic, afirmou que a empresa conduzia uma investigação desde que um agente da OpenAI invadiu o portal para desenvolvedores de IA Hugging Face, em meados de 2026. Segundo Orr, não foram encontradas violações de sistemas do governo australiano.
Direitos autorais e data centers
As duas empresas aguardam autorização para grandes data centers planejados por desenvolvedores na Austrália. OpenAI e Anthropic concordaram em ser as principais compradoras de capacidade computacional desses projetos.
O governo do primeiro-ministro Anthony Albanese trabalha em novas leis para regulamentar o setor. Um número crescente de australianos também pede regras mais rígidas para data centers de IA e para a proteção de direitos autorais.
Durante a audiência, criadores de conteúdo australianos criticaram as tentativas das empresas de IA de flexibilizar as regras de direitos autorais. Atualmente, companhias de tecnologia precisam negociar acordos de licenciamento antes de usar esse material no treinamento de modelos.
Kate Gilchrist, chefe de conteúdo e operações jurídicas da emissora pública Australian Broadcasting Corporation, afirmou que uma possível cláusula de opt-out transferiria aos detentores dos direitos a responsabilidade de impedir o uso de seus conteúdos. Ela disse que o sistema de direitos autorais já é adequado para lidar com a atividade da IA.
Nos Estados Unidos, uma proposta de lei federal prevê que empresas de IA informem comportamentos perigosos, como tentativas de escapar da supervisão humana. Não existe, porém, um sistema geral que obrigue as empresas a divulgar esse tipo de ocorrência.
As audiências da comissão estão programadas até 9 de outubro. O relatório final deverá ser apresentado em 30 de novembro.



